A democracia é afetiva
A forma mais adequada de convivência em sociedade nos tempos atuais
Walter Alberto Topfstedt, Inteligência Democrática (24/04/2026)
Na minha visão, uma sociedade democrática é a expressão de uma sociedade “madura”, no sentido de que as relações sociais estão mais ou menos estabelecidas e consolidadas, se não na sua plenitude, então muito próximas dela.
Assim, comparando com a evolução de um ser humano, que passa pelo nascimento, infância, adolescência, juventude e maturidade, o mesmo se passa com as sociedades, onde uma fase precisa de ser concluída para que os processos continuem a fluir na direção das fases seguintes.
Não se trata exatamente de uma “evolução” no senso comum, mas sim da forma como a configuração acontece nos contextos regionais, nacionais e globais, com grande influência do acaso ou aleatoriedade, e dos afetos que influenciam o resultado das interações.
Algumas características permitem identificar as fases da evolução do ser humano.
O publicitário Ricardo Guimarães, num conteúdo bastante didático no YouTube sobre o “Projeto do Ser Humano”, menciona que a infância se caracteriza pela “Anomia”, ou seja, “o não reconhecimento do outro”.
Já na adolescência, surge a “heteronomia”, ou seja, o surgimento do “outro” na vida do indivíduo.
Por fim, conclui que, na maturidade, surge a “Autonomia”, com a capacidade de julgar e agir por conta própria, com discernimento e responsabilidade.
Faço essa referência porque acredito que com as sociedades também ocorre um processo semelhante, baseado na observação histórica das nações e dos povos.
As sociedades são moldadas pelas experiências vividas nos eventos históricos e interagem de acordo com as capacidades dos momentos de maturidade da sua existência, seja através de conflitos, guerras ou acordos e negociações.
Outra característica semelhante é que não é possível suprimir ou adiar a experiência ou a interação.
Assim como um desastre natural, por exemplo, inundações, deslizamentos de terra ou pandemias, os eventos afetam determinantemente o desenrolar das configurações sociais, transformando-as em vários níveis numa nova situação.
Desta forma, podemos olhar para o quadro atual como consequência de todo um emaranhado de eventos que, através dos tempos, fomos atores, protagonistas ou coadjuvantes, desse processo democrático em que nos encontramos.
Qualquer mobilização em relação a mudanças “estruturais” nos processos de convivencia social, pode e deve ser sempre analisado e debatido com os envolvidos, pois as consequências podem ser tais que não há como voltar ao estado anterior.
Daí a dificuldade de se implementar mudanças de forma urgente ou muito rápidas.
Assumir a responsabilidade, individual e coletivamente, por este estado de coisas é um dos passos iniciais para que se transforme, de forma orientada, negociada e em consenso, as coisas que ficarão para os próximos momentos ou gerações.




Excelente Walter! Muito bom