A derrota antecipada de Flávio Bolsonaro
E o suicídio do bolsonarismo
Os Bolsonaro são uma força de destruição. Não se espere deles qualquer projeto construtivo capaz de abrir um caminho alternativo para o Brasil.
Alguns acham que apostar eleitoralmente neles (nos Bolsonaro) é o único meio para desalojar Lula e o PT do poder depois de quase vinte anos. Todavia, os populistas lulopetistas não estão no poder por tanto tempo apenas porque vencem eleições para se prorrogar no governo. Eles conquistaram, durante quarenta anos, hegemonia em setores e instituições chaves da sociedade e do Estado: sindicatos, centrais e associações profissionais, ONGs e movimentos sociais, universidades (sobretudo federais na área de humanas), jornalistas e analistas políticos, juristas, artistas, influencers e outros famosos globais, institutos de pesquisa de opinião e agências de checagem, partidos de esquerda (alinhados ao eixo autocrático), funcionários governamentais e... STF.
Foi isso que permitiu a sobrevivência e a volta do PT ao governo depois do mensalão, dos protestos de 2013, do petrolão (e da Lava Jato), do impeachment da Dilma, das derrotas eleitorais de 2016, 2018 e 2020 e do governo de Jair Bolsonaro.
Essa força bolsonarista (nacional-populista), a partir de 2022, esgotou o seu potencial de substituição do governo por não ter conseguido modificar as bases do poder lulopetista (neopopulista). A hegemonia do PT continuou praticamente intacta em vários setores decisivos.
O bolsonarismo continua sendo uma força de destruição (do que chama de "o sistema"), mas não tem mais capacidade de mobilizar amplos setores sociais e de organizá-los para abrir uma alternativa. Nem de mobilizar setores políticos!
Querem uma prova?
Final de julho de 2026. Flavio Bolsonaro vai concorrer sozinho. Não foi capaz de fazer nenhuma coligação para disputar as eleições de outubro. Isso é a única coisa que não pode acontecer com um agente ou força política: ficar isolado. Insistir concorrendo, nessas circunstâncias, é um suicídio.
Os Bolsonaros, entretanto, não estão tão preocupados. Escolheram Flávio para perder, mas manter a liderança do antipetismo nas mãos da famiglia até 2030. Foi outro erro. A derrota antecipada de Flávio, por derretimento de sua campanha, inviabiliza o projeto de continuar comandando a oposição nos próximos quatro anos.
Então, ao que tudo indica, estamos assistindo a um suicídio mesmo.




