A direita só tem uma saída: abandonar Flávio Bolsonaro
E os democratas torcem por isso
Alguns dos mais expressivos líderes políticos que se dizem de direita já abandonaram, in pectore, Flávio Bolsonaro. Flávio espera contar novamente com seu apoio de última hora pela falta de alternativas viáveis e pela recusa geral da oposição de reeleger Lula.
Mas o bolsonarismo não é propriamente uma alternativa de governo e sim uma força antissistema. Veio para destruir, não para construir. Substituir um governo, respeitando as regras democráticas, significa manter o sistema em vez de destrui-lo. Por isso que o bolsonarismo da famiglia Bolsonaro não se importa tanto em perder a eleição presidencial, desde que se mantenha como aglutinador de todas os setores antipetistas e consiga eleger uma grande bancada parlamentar esperando chances melhores, até 2030, de desferir um ataque ao sistema (talvez com apoio dos EUA, se o trumpismo continuar dominante por lá).
Mas isso significa também dar mais quatro anos ao lulopetismo para avançar na sua estratégia de conquistar hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado controlado pelo partido.
E Lula reeleito continuará usando as instituições aparelhadas do Estado (sobretudo o STF e a PGR) para exterminar o bolsonarismo. Os rebentos salientes do presidiário Jair Bolsonaro provavelmente serão presos (ou permanecerão exilados) e seus representantes mais extremistas idem.
Os que se dizem de direita, mas não têm miolo mole, já viram que essa é uma canoa furada. A perseguição ao bolsonarismo atingirá também, em menor ou maior grau, todos os setores de direita que alguma vez abraçaram o projeto da famiglia Bolsonaro. Quem não for beijar a mão de Lula e se render ao lulopetismo estará em risco.
Diante disso, a ver quando - e se - os setores que se dizem de direita, mas não apostam mais em Flávio Bolsonaro, decidirão apoiar outro candidato para tentar impedir mais uma reeleição de Lula. Antes que seja tarde.
Tudo isso interessa também aos democratas (pelo menos àqueles que não têm porque se dizerem “de direita” e nunca apoiaram o bolsonarismo e o lulopetismo). Porque o PT, vingativo e arrogante, após uma sexta vitória eleitoral neste século, encarará como direita (e, para todos os efeitos práticos, como bolsonaristas, golpistas e fascistas) todos aqueles que não apoiaram Lula.
Mas há razões mais importantes para os democratas. Se Lula for reeleito, teremos:
Mais governo de esquerda populista no Brasil.
Mais aparelhamento das instituições, menos freios e contrapesos democráticos (e menos equilíbrio entre os poderes, com domínio partidário completo da suprema corte).
Mais estatismo (ou iliberalismo).
Menos chances de nosso regime transitar - nos curto e médio prazos - para uma democracia liberal ou plena (e mais chances de o Brasil entrar em transição autocratizante, não por um golpe de Estado e sim pela privatização partidária das instituições).
Mais isolamento do Brasil na América Latina (seu único parceiro ideológico restante será o México - já que perdeu seus aliados populistas de esquerda tradicionais, como Argentina, Colômbia, Equador, Peru, Honduras, Bolívia e suas ditaduras amigas estão em crise terminal, como Cuba, Venezuela e Nicarágua).
Mais alinhamento ao eixo autocrático (Rússia, China, Irã etc.), supostamente para combater o imperalismo yankee.
Ou seja, é um imperativo democrático impedir a reeleição de Lula. Não importa muito quem cumprirá esse papel (do ponto de vista da democracia liberal todos os candidatos com alguma chance são ruins) - desde que não seja um Bolsonaro ou um bolsonarista-raiz, que não apostam nem na democracia eleitoral, muito menos na democracia liberal.
Alguns podem reclamar por que não falei do que aconteceria se Flávio fosse eleito. Bem... não acho que Flávio será eleito (e nem sei quem será, se não for Lula - hoje o mais provável vencedor). Se um Bolsonaro for eleito, será mais do mesmo: já vimos esse tipo de fracasso. O bolsonarismo, repita-se, é uma força antissistema e, como tal, não tem vocação para governar.
P. S. Vou explicar para quem não entendeu. Se, por um golpe de sorte, Flávio for eleito, os bolsonaristas celebrarão. Mas o plano é perder. Com isso, porém, os apoiadores de Flávio até o final, ficarão expostos a todo tipo de retaliação. Só alguns que concordarem em virar súditos do PT serão perdoados.




Se a família tivesse um pingo de vontade de ajudar o Brasil, sairiam e ainda deixariam um nome.