A época do Brasilzão
Gilberto Natalini, Inteligência Democrática (02/05/2026)
O Brasil entrou na fase dos aumentativos, em sua escalada de descalabros, políticos, econômicos, sociais, éticos e morais.
Tivemos aqui em pouco mais de duas décadas o Mensalão, o Petrolão, o Descontão, o Emendão e o Masterzão.
Todos os poderes da República, o executivo, o legislativo e o judiciário, além do setor empresarial e da sociedade civil, estiveram, em cada tempo, participando de várias maneiras nesses eventos escandalosos, que colocaram o Brasil no topo do ranking mundial da corrupção.
Vamos pinçar aqui apenas um para exemplificar.
As emendas parlamentares existem há muito tempo, e foram muitas vezes usadas, de forma correta para ajudar a população, e também, muitas vezes de forma antirrepublicana.
Mas, há cerca de 8 anos, surgiram as famosas emendas secretas, onde o Parlamento se apoderou de grande quantia do orçamento público, para distribuir entre deputados e senadores, sendo usadas sem transparência, sem prestação de contas devidas, e sem os critérios de respeito ao dinheiro público.
Me desculpe a comparação, mas isso transformou o orçamento numa “farra do boi” e aumentou a promiscuidade entre o Executivo e o Legislativo com o olhar vagaroso do Judiciário.
A última bandalheira desta novela macabra foi a liberação de bilhões de reais em emendas parlamentares para comprar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, manobra que não deu certo pois a articulação contrária prevaleceu.
Entretanto, a prática de compra de votos no Congresso, por meio de liberação de emendas vai continuar.
A degradação moral de nossa República caminha numa espiral rápida e vergonhosa. E as forças majoritárias da “direita” e da “esquerda” assistem, convivem e apoiam todo esse descalabro.


