A genética da democracia é humana
Mas não é "herdada" e sim concebida
Walter Alberto Topfstedt, Inteligência Democrática (22/05/2026)
A democracia não veio no bojo da genética humana. A teoria da evolução, com o aspecto da “adaptabilidade”, não detalha essa parte da humanidade, através das lutas e hierarquias grupais.
Ela surgiu da interação e configuração de ambientes onde os indivíduos podiam, com liberdade de serem quem são, falar e ouvir, concordar e discordar, propor e agir, de acordo com o momento e suas convicções, gerando novas formas de convivência que antes não existiam.
E continua assim, desde os gregos antigos. Sempre com percalços, tropeços, avanços e recuos, mas com processo de transformação nas relações humanas em grupo.
Curioso que, na minha visão, a dinâmica é sempre a mesma, tanto para a avanços como para retrocessos: as motivações e ambições humanas.
Baruch Espinosa já frisou que existem energias internas, emoções e afetos, que nos impelem a realizar algo, ou nos desestimulam, dependendo de nós mesmos e do contexto em que nos encontramos.
Para ele, três são as paixões fundamentais e primitivas: a tristeza, a alegria e o desejo.
Enquanto da paixão da alegria brotam o amor, a devoção, o contentamento, a glória, a segurança, da paixão da tristeza surgem a inveja, o ódio, o arrependimento, a modéstia, etc. Já o desejo pode gerar diferentes paixões derivadas, sua qualidade dependendo da combinação com as paixões da alegria ou da tristeza.
Assim, podemos observar períodos históricos de grande desenvolvimento de sociedades ou nações, em termos de desenvolvimento econômico, nas artes, nas trocas com outras sociedades e nações, e outros períodos com o cenário completamente oposto.
O contexto polarizado, a meu ver em função da alta interatividade da sociedade atual, nos coloca em cheque sobre o passado não muito distante, e nos desafia a manter o que nos conecta, e desenvolver novas formas para que ela, a polarização, não floresça ou até diminua.
Novamente, tudo começa dentro de nós mesmos, identificando o que nos move ou não, e cultivando estes processos em nossos círculos, desde os mais próximos, até os mais distantes, como ondas de uma pedra em um lago.
Até mesmo com a criação de novos, para que possamos manter o que parece que continua a ser o mais caro dos processos sociais como humanos: a manutenção da liberdade de ser quem somos, e poder viver isso na prática.
Referências
https://petecaportal.wordpress.com/2021/11/08/spinoza-para-o-enfrentamento-das-paixoes-tristes/



