A "gestação" da democracia
Walter Alberto Topfstedt, Inteligência Democrática (19/06/2026)
No livro Como as democracias nascem, Augusto de Franco menciona que é um processo onde “o importante é saber como as democracias nascem e renascem, como resultado de inovação social, da vontade de ser livre, sem um senhor, em ambientes com alto grau de capital social”.
Então, vou elencar aqui a seleção das minhas preferidas, entre as definições do que seria o “capital social”:
Jane Jacobs foi a primeira a explorar a intimidade sociológica do termo, definindo-o como as “redes de relações de bairros” forjadas pela permanência das pessoas. Essas redes são um capital urbano insubstituível que sustenta a autogestão local.
A jornalista simplesmente ajudou a mapear a cidade em termos de relações humanas, para que todos pudessem usá-la melhor. E divulgou isso, para que os cidadãos se apropriassem dos espaços e se responsabilizassem por eles.
Também Alexis de Tocqueville descreveu o fenômeno como a “arte da associação”, a propensão de um povo para se unir voluntariamente em prol de fins comuns, o que funciona como uma escola de autogoverno.
Seria algo como “o que nos une e motiva para que cocriemos concretamente como uma coesão entre todas as contribuições”.
Já Fukuyama define capital social como a “capacidade que decorre da prevalência de confiança em uma sociedade”.
Ele argumenta que o capital social é baseado na aquisição de virtudes sociais (como lealdade e honestidade) e no hábito a normas morais comuns.
Os elos de confiança aqui são o eixo da convivência. Eu recordo que, a meu ver, confiança advém da exposição das fragilidades, e do apoio do entorno para que elas não influenciem no resultado do que se propõe nas outras duas definições anteriores.
Fazendo uma mistura entre o que foi mencionado: as relações nos espaços públicos das cidades, o que nos motiva e energiza para que façamos juntos e administrar nossas fragilidades coletivamente, seria o “caldo de cultura” de fomentar o incremento do capital social.
Assim como cada iniciativa brota dentro de cada indivíduo, o capital social está em qualquer iniciativa coletiva que “viraliza” positivamente, engaja e beneficia um número cada vez maior de pessoas dispostas a gerar o bem comum, numa espiral social virtuosa.



