A luta contra o narcotráfico mexicano
O que a democracia tem a dizer sobre isso
As ações atuais do cartel mexicano CJNG (Cartel de Jalisco Nova Geração) são terroristas. Isso não significa que os carteis de narcotraficantes sejam organizações terroristas, estruturadas a partir de um propósito político (como o Hamas ou o Hezbollah). Seu propósito é o lucro e o domínio de territórios para viabilizar e maximizar o lucro. Isso, de qualquer modo, não pode ser permitido.
Os carteis devem ser enfrentados por ações policiais usando recursos militares. Isso não significa declarar guerra aos carteis (em termos militares) como se eles fossem inimigos internos, abolindo-se as leis (que ainda restam no México). Se for assim estará instalada a permissão para matar, à margem de qualquer processo legal. É claro que, nessa ação policial, haverá mortes de narcotraficantes e agentes de segurança. Mas isso é diferente de sair caçando e matando os narcotraficantes como se eles não tivessem mais quaisquer direitos. Eles devem ser mortos, sim, se resistirem de forma violenta às investigações e prisões.
Ah! Mas os narcotraficantes usam uniforme militar, têm armamento militar, adotam hierarquia militar e praticam ações militares. Certo, mas isso não transforma os bandidos que eles são em uma força beligerante inimiga. Ah! Mas esses narcotraficantes cometem atentados terroristas. Sim, mas isso não os converte em uma organização terrorista. O ponto aqui é que a natureza da ação para coibir esse tipo de crime organizado é policial (ainda que - como já foi dito - lance mão de recursos militares). Repetindo. A ação policial pode resultar em mortes se houver resistência violenta dos bandidos à aplicação da lei. Mas isso é diferente de não ter lei nenhuma, visando somente matar os inimigos ou os terroristas.
Entretanto, segundo o Defense Index, algumas estimativas apontam que os cartéis no México têm entre 200 mil e 250 mil membros, muitos armados e treinados para o combate, como mostra o vídeo abaixo:
Embora isso seja incomum, os carteis mexicanos podem se transformar em forças político-militares beligerantes ou em organizações terroristas. Basta, para tanto, que assumam uma plataforma política de contestação do Estado mexicano, seja para derrubar o atual governo e tomar o poder, seja para se constituir como uma força separatista que tenha como objetivo criar um outro Estado. Caso isso fique configurado, a coisa toda muda de figura. Nesses casos eles poderão ser encarados, pelo Estado, como inimigos e não apenas como criminosos, delinquentes, foras-da-lei, mafiosos. Aí passam a valer as chamadas “leis da guerra” (que não são - nunca foram - democráticas e nem poderiam ser chamadas propriamente de leis). Como são organizações que, além de criminosas, são autocráticas, isso é o que de pior pode acontecer para a democracia, no México, nas Américas e no mundo.
Dito isso, é preciso ver que o populismo de esquerda (dos governos de Obrador e Claudia) que parasita o regime político mexicano - que nem é mais, a rigor, uma democracia plena ou mesmo defeituosa: segundo a classificação da The Economist Intelligence Unit é um regime híbrido, próximo do autoritarismo - não é capaz de enfrentar as ações terroristas praticadas pelas máfias do narcotráfico e dissolver essas organizações bandidas. E talvez ainda mais incapaz será de enfrentar forças político-militares inimigas e organizações terroristas, se o pior vier a acontecer.



