As pessoas importam
Rafael Ferreira, Inteligência Democrática (15/01/2026)
Ouvi de uma ucraniana quando comentei que iria escrever um artigo sobre democracia: o que precisa ser dito e escrito é menos sobre eleições e leis e mais se as pessoas se importam umas com as outras.
De fato, nada mais importante pra falar hoje do que o quanto as pessoas importam.
No Irã, um país governado por religiosos mais habituados a costumes da idade média do que aos dias de hoje, segundo as estimativas mais modestas, mais de 2000 pessoas foram executadas ou mortas pelo regime em razão dos protestos contra um governo que não as representa! Se fosse uma só, já importava. Mais de 2000 pessoas! Com relatos de execuções dentro de hospitais!
Nos Estados Unidos, uma pessoa desarmada foi abordada por agentes mascarados e assassinada sem defesa enquanto o governante transforma essa pessoa em ‘demônio terrorista’ ou coisa que o valha! A defesa da vida não pode ser um discurso vazio, ela precisa estar lastreada por ações concretas de respeito no cotidiano, e agentes do Estado que matam uma pessoa desarmada não se justifica por discurso nenhum.
Putin propaga boa intenção, com o nome mais pomposo que seja como o de ‘desnazificar um país’, mas o que acontece na realidade é assassinato massivo de civis e desprezo total pela vida humana, a mais singela que seja como a de uma criança. É simplesmente crueldade e desumanidade.
Governantes que não se solidarizam com as pessoas costumam usar ideologia para justificar suas ações ou omissões. Se o ditador ou autocrata é o meu parceiro, por que vou me importar com as pessoas ali que estão querendo atrapalhar os planos do meu amigo no poder? O meu amigo tem uma qualidade que me faz não abandonar ele de jeito nenhum, ele é inimigo do mesmo inimigo meu.
As pessoas, essas não importam, são apenas joguetes para esses governantes.
Sim, devemos falar mais sobre as pessoas e menos sobre eleições e leis, mas nunca devemos nos esquecer desses governantes que sempre esquecem das pessoas, principalmente em situações tão críticas como as que narrei acima, que não fazem a gente apenas se importar, mas que também nos chocam. Devemos, isso sim, lembrar de colocar outros governantes, que respeitam pessoas, no lugar desses que não se importam.




Muito oportuno. Agradecidíssimo, Rafael!