Cadê o candidato?
Basta aparecer um candidato minimamente viável, fora da polarização entre os populismos lulopetista e bolsonarista, para mudar completamente o ambiente político da disputa eleitoral.
Se houver um candidato que consiga captar partes significativas do voto antipetista e do voto antibolsonarista ele terá grandes chances de passar ao segundo turno. Se passar ao segundo turno estará eleito.
Caso isso aconteça, haverá choro e ranger de dentes nas hostes populistas. No desepero, esse candidato despolarizado será atacado pelos dois lados mais violentamente do que cada um desses lados ataca o outro. Mas é do jogo. Está no preço.
O diabo é a demora para esse candidato aparecer. Falava-se que primeiro precisávamos de um programa. Esse tempo já passou. E nenhum dos candidatos já anunciados tem programa. Falava-se que essa candidatura alternativa aos populismos deveria surgir no bojo de um amplo movimento. Sim, seria o ideal, mas não há mais tempo. Se um movimento surgir - e é fundamental que surja - será organizado em torno de uma candidatura que rompa a polarização.
Onde está, porém, o candidato?
O PSD tem três pré-candidatos. Diz-se que o partido (ou seu dono, Kassab) escolherá aquele que pontuar melhor nas pesquisas. Mas, enquanto isso, nenhum deles pode dizer que é o real candidato. Logo, não podendo fazer campanha aberta, todos eles terão baixa pontuação nas pesquisas. Aí o PSD fará o quê? Indicará o melhorzinho? Até agora parece uma estratégia para escolher um perdedor. Quanto mais isso demorar, maiores serão as chances do PSD inviabilizar sua própria candidatura.
Hei PSD! Não é o óbvio? Sem fazer campanha (ainda que disfarçada de pré-campanha) ninguém pontuará muito bem nas pesquisas. Logo, não se pode esperar que um pré-candidato, que não pode se apresentar como real candidato, pontue bem nas pesquisas para ungí-lo como o candidato.
Por certo Lula, se for derrotado, o será pelo antipetismo. Não pelo bolsonarismo de Flávio Bolsonaro ou de qualquer bolsonaro. No entanto, o antipetismo é tão forte que até um candidato desqualificado, incompetente e vazio, como Flávio, arrebanhará os votos antipetistas. Isso, é claro, se não houver outro candidato de oposição minimamente viável no páreo.
Por enquanto, Lula está tranquilo. Os militantes lulopetistas nem batem em Flávio Bolsonaro. Torcem para o filho do capitão passar ao segundo turno porque sabem que, não podendo levar no primeiro turno, sua melhor chance de vencer é enfrentá-lo no segundo turno. De sorte que, se nada acontecer, o PT entra nessa eleição com dois candidatos: Lula e Flávio. Será a campanha do já ganhou.
Por tudo isso, o primeiro objetivo dos democratas é impedir que Lula vença no primeiro turno. O segundo objetivo é impedir que Flávio passe ao segundo turno. A eleição de 2026 será decidida no primeiro turno.
Mas é preciso um candidato. Cadê o candidato?



