Caso JK: a vitória da verdade histórica
Gilberto Natalini, Inteligência Democrática (12/05/2026)
Em 22 de Agosto de 1976 morria, em um sinistro de trânsito, o ex-Presidente do Brasil Juscelino Kubitschek.
O Opala em que JK viajava para o Rio, dirigido por seu motorista Geraldo Ribeiro, no km 165 da Via Dutra, atravessou o canteiro central da rodovia e chocou-se de frente com um caminhão Scania, que vinha em sentido contrário, causando morte imediata em JK e no Geraldo.
Na época, o fato cercou-se de sigilos e segredos. O Brasil era governado pela Ditadura Militar e o presidente era o General Ernesto Geisel.
De imediato, divulgou-se a versão oficial de “acidente de trânsito”, que atravessou esses 50 anos já passados.
A investigação do “acidente” foi eivada de fraudes e distorções.
Primeiro, tentaram culpar o motorista do ônibus da viação Cometa, que transitava no local, dirigido por Josias de Oliveira, como causador do acidente.
Depois, ficou provado que o Opala de JK não bateu no ônibus.
Em seguida, fraudaram e barbarizaram o laudo principal do “acidente”, tanto na perícia do local, do automóvel, quanto no exame dos corpos dos acidentados. Foram erros e manipulações grosseiros, realizados pelo Instituto Carlos Éboli do Rio de Janeiro.
Também houve chantagem à própria família de JK, para que parassem de denunciar.
O assunto ficou aquietado, mas as contradições gritantes da causa da morte de JK mantiveram-se com o passar do tempo.
Em 1996, a pedido de Serafim de Melo Jardim, Secretário Particular de Juscelino, o caso foi reaberto, já no Governo FHC.
Porém, no final, as conclusões corroboraram a tese da Ditadura de que se tratava de um “acidente”.
Em 2002, uma Comissão Externa da Câmara dos Deputados retomou o caso, mas baseou-se nos mesmos laudos e relatórios falseados e concluiu mais uma vez pela tese do “acidente”.
Em 2013, assumi como Presidente da Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de S. Paulo, composta por 7 vereadores, e tivemos como assessor o brilhante jornalista investigativo Ivo Patarra.
Instado por ele, decidimos trazer o caso JK como um dos eixos de investigação de nossa Comissão.
Trabalhamos exaustivamente levantando todos os dados, oficiais e extraoficiais, sobre a morte de JK.
Ouvimos dezenas de pessoas, fizemos diligências, produzimos laudos, avaliamos a muitas mãos a conjuntura política daquela época, estivemos no local da morte, viajamos para ouvir pessoas e trouxemos vários testemunhos de muitos cantos do Brasil.
Foi um trabalho amplo e profundo, realizado com cuidado técnico, e focado em um só ponto: a verdade.
Após elaborar 114 quesitos muito bem fundamentados, declaramos que a nossa conclusão é de que JK foi vítima de um atentado na Via Dutra, que resultou no choque entre seu carro e o caminhão, matando ele e seu motorista.
Essa afirmativa criou polêmica, e nós a encaminhamos à Comissão Nacional da Verdade. Para surpresa, a CNV discordou do nosso relatório e reafirmou, baseada nos mesmos laudos viciados do passado, que JK morreu de “acidente”.
Nunca aceitamos isso!
Em 2019, por solicitação da Promotoria Pública, o eminente perito de trânsito Sérgio Ejzenberg, produziu um robusto e preciso laudo, concluindo que, pela análise dos fatos, o carro de JK não foi vítima de um acidente, corroborando assim com nossa tese.
Baseados nesse laudo, eu e Ivo Patarra encaminhamos uma petição à Comissão de Mortos e Desaparecidos do Brasil, solicitando que fosse revista a causa da morte de Juscelino Kubitschek. Nosso pedido foi aceito e o assunto foi reaberto.
Passados alguns meses, tomamos ciência de que a relatora do caso, Maria Cecília Adão, num trabalho de 1000 páginas e 6000 anexos, concluiu também que não houve acidente, e que a morte de JK foi provocada por ação externa, intencional e criminosa.
Agora, esse Relatório está para ser votado na Comissão de Mortos e Desaparecidos.
Mais uma vez, encaminhamos uma segunda petição à Comissão, assinada por mim e Ivo Patarra e também com as assinaturas de Adriano Diogo, Serafim Jardim e Robson Sávio, solicitando que possa ser votado com rapidez o Relatório, aprovado pelos membros, e divulgado para o povo brasileiro o verdadeiro motivo da morte de Juscelino Kubitschek, que se tratou de um assassinato político, organizado por agentes do comando da Ditadura Militar da época.
O Brasil não pode ter medo de sua história. JK era amado por grande parte do nosso povo, e seu assassinato deve ser conhecido pelo País, para que possamos nos reconciliar com a Verdade e a Justiça.
Assim esperamos!




Trabalho importantíssimo! Parabéns pela resiliência