Democracia brasileira em uma sociedade “juvenil” e hierárquica
Walter Alberto Topfstedt, Inteligência Democrática (01/05/2026)
Facilito oficinas para imigrantes brasileiros, e um dos processos que abordamos é a identificação dos valores da cultura nacional e a inter-relação entre os valores da cultura de origem e da cultura onde se estabeleceram, para que possamos gerenciar diferenças, mapear possibilidades e oportunidades.
Utilizo conteúdo do Thymus, e do CEO, Ricardo Guimarães, onde ele detalha as fases do projeto do ser humano, do nascimento e infância à juventude e maturidade, enfatizando que essas fases devem ser superadas para que o processo siga o fluxo natural da vida.
Ele destaca que a fase da juventude é caracterizada pelo surgimento do “outro” na vida do indivíduo, com uma consequência boa e uma ruim: a boa é que a vida com o outro traz mais prazer, e a ruim é que se precisa do outro para ter mais prazer.
O surgimento do “outro” sem “ferramentas” para elaborar as tensões gera, em última análise, emoções turbulentas e uma energia beligerante, de confronto, dando origem a necessidade de “tutela”, de modo que esse processo possa ser mais ou menos mediado, mas com a decisão final cabendo a alguém de fora, ou seja, “acima” do nível onde a turbulência ocorre.
Sociedades “juvenis” ou imaturas possuem essa característica de energia emocional intensa, confronto beligerante e necessidade de mediação ou tutela, na figura de alguém, nomeado ou imposto, a quem seja delegada a capacidade de mediar conflitos e confrontos.
Essas são as características mais comuns em sociedades autocráticas e iliberais, onde um ditador ou imperador populista lidera ou guia os caminhos e as decisões dos grupos sociais.
Basicamente, o grupo demonstra não ser capaz de decidir por si só, autonomamente, os caminhos ou as regras que considera mais adequados para a convivência.
Fernando Schuler, no evento “Fórum da Liberdade 2026”, em Porto Alegre, menciona que a sociedade brasileira possui uma mentalidade hierárquica, o que é outra forma de descrever o processo que estamos detalhando.
A hierarquia cria camadas de tomada de decisão e responsabilidade; essas camadas podem ter poucos níveis ou um grande número deles.
Normalmente, sociedades mais maduras e democraticamente liberais possuem uma certa hierarquia, mas com poucos níveis, onde a prática da igualdade tende a ser a natureza das relações, mesmo dentro de uma hierarquia, como uma espécie de “rotação” entre os atores.
Em um dado momento, um grupo está em uma posição superior e, em outro momento, outro grupo assume essa posição.
Assim como uma larva tem um período de “pupa” com um casulo para se transformar em borboleta, as sociedades também têm seu período de “transformação” ou metamorfose. Somente a quantidade e a qualidade da interação social determinarão se esse período será curto ou longo.
Referências
Ricardo Guimaraes - “Thymus Algar - Transição e Otimismo”
Fernando Schuller - “Fórum da Liberdade 2026” - Porto Alegre



