Democracia se aprende em casa
Walter Alberto Topfstedt, Inteligência Democrática (08/05/2026)
Que a família é a “célula mater” da Sociedade, é uma verdade já conhecida.
O que (ainda) não se sabe, infelizmente, é como a família pode ser um berço também de liberdade e autonomia, no que diz respeito a conceitos mais básicos e importantes para a convivência democrática em sociedade.
Independente da configuração familiar, em muitos casos, a criança já nasce com uma adesão a religiosidade da família, na cultura esportivo-futebolistica do pai, as vezes compartilhada também com a mãe.
Ocorre que o importante para o projeto do núcleo familiar, dentro do contexto social que ela pertence, é a configuração de um ambiente onde os membros podem ser quem são, com suas virtudes e imperfeições, suas individualidades e identidades sendo reconhecidas e respeitadas, através das práticas de convivência que aquele ambiente pode criar, desenvolver e manter para várias gerações e também ao seu entorno.
Desde as fases da infância, adolescência e juventude, todas elas podem, e devem, serem campos de prática de liberdades e gestão de autonomia, que irão refletir para toda a vida dos indivíduos e do grupo.
O curioso é que a abundância de informação e conteúdo disponível hoje, em vários formatos e plataformas, não é capaz de gerar a capacidade de conceber, experimentar e praticar uma “cultura” democrática que seja perene e saudável.
O fato dos pais não terem recebido isso dos seus genitores não impede que este processo seja realizado. Os pais que por qualquer intercorrência tiverem interesse ou entrarem em contato com o tema, podem se desenvolver e assumir esta postura mais ativa em relação a este aspecto da vida familiar.
Outro ponto relevante é que o conceito de “liberdade” é considerado como já incluído na abordagem dos pais, assim como a “definição de limites”, que teriam a função de orientar para a prática da vida adulta.
A medida que os níveis de maturidade vão evoluindo, os temas e contextos também vão se tornando mais abrangentes. Sempre dentro de um ambiente regado a afetividade, amorosidade e respeito, com os membros tendo a noção de si mesmos e de pertencer a um sistema mais amplo, cheio de níveis, engajamentos e implicações, com direitos e responsabilidades.




Uma abordagem extremamente relevante meu caro. Muito bom!