Os democratas liberais torcemos pela derrota de Trump hoje nas midterms. E pela vitória da ala centrista do partido Democrata, não pelo fortalecimento da sua ala socialista (da DSA - Democratic Socialists of America: uma espécie de PT americano) que é visceralmente iliberal.
Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre o caráter iliberal da ala populista de esquerda do partido Democrata deve ler o seu programa. O programa é revelador das raízes marxistas do populismo de esquerda.
Alguns destaques sobre o programa do DSA, elaborado entre abril e junho de 2026 por um comitê de membros da DSA, eleitos por meio de um processo estabelecido pela Convenção Nacional da DSA de 2025:
“O mundo está um caos, mas para os patrões, tudo está correndo conforme o planejado. Podemos ver o plano deles nas inúmeras imagens de partir o coração vindas de zonas de guerra como Beirute, Gaza e Teerã.”
“O sistema político e econômico em que vivemos é construído sobre a propriedade privada e o lucro a qualquer custo. Como o capitalismo falha em resolver os problemas que ele mesmo criou, ele se volta para o autoritarismo de direita”.
“Se vivêssemos em uma sociedade sem classes e nos governássemos, poderíamos construir livremente um mundo sem guerras ou pobreza.”
“Para alcançar esse futuro, nossa classe precisa se organizar. Os Socialistas Democráticos da América estão construindo um partido cujo objetivo é uma sociedade democrática da classe trabalhadora. Nossos inimigos não são apenas patrões individuais, mas todo o sistema global do capitalismo...”
“A DSA elaborou este programa para acabar com a oligarquia capitalista... sabemos que a vitória completa exigirá a construção de uma nova sociedade desde a base. Levamos essas reivindicações ao extremo hoje, para que possamos lutar por sua plena realização em um futuro socialista.”
“Reconhecer os direitos do povo palestino, incluindo o direito de retorno, o direito de resistir à ocupação militar e o direito à autodeterminação em uma Palestina livre com Jerusalém como sua capital. Suspender toda a ajuda militar e econômica a Israel. Processar os líderes americanos e israelenses responsáveis pelo genocídio em Gaza.”
“As pessoas em todo o mundo merecem viver suas vidas sem interferência dos EUA. É preciso acabar com a guerra econômica contra países cujos governos agem independentemente dos Estados Unidos, como Cuba, Venezuela e Irã.”
“Para que a classe trabalhadora governe, precisamos de um novo sistema político.”
“Estabelecer a propriedade pública das maiores corporações e indústrias essenciais para garantir o controle democrático e a prestação de contas ao povo. Implementar impostos sobre a riqueza dos indivíduos e corporações mais ricos para financiar bens públicos e infraestrutura.”
“Capacitar os trabalhadores para que se unam e lutem contra os patrões. Proteger, expandir e garantir o direito de todos os trabalhadores de formar, filiar-se e entrar em greve com seus sindicatos, independentemente do setor.”
Quem pertence à DSA ou apoia esse protopartido que, por enquanto, é uma facção que tenta crescer dentro do partido Democrata (clonando o comportamento do MAGA dentro do partido Republicano)? Alguns nomes mais conhecidos:
Ashik Siddique e Megan Romer: Atuais co-presidentes nacionais da organização, liderando o Comitê Político Nacional (NPC).
Alexandria Ocasio-Cortez (AOC): Deputada federal por Nova York e a integrante mais famosa e influente ligada publicamente à organização.
Rashida Tlaib: Deputada federal pelo Michigan e outra voz de extrema relevância no Congresso americano.
Zohran Mamdani: Político que ganhou enorme projeção nacional ao ser eleito prefeito de Nova York.
Bernie Sanders: Embora atue como senador independente e não seja formalmente um líder da estrutura interna da DSA, o senador é o principal aliado histórico e o maior propagador do socialismo democrático nos EUA.
Michael Harrington: O influente cientista político e intelectual que fundou a organização em 1982.
Todos esses assinam a (ou concordam com a) recente declaração da DSA parabenizando a vitória de Lula e do PT como o triunfo da democracia no Brasil. A declaração segue reproduzida abaixo:
Parabéns Lula e Brasil!
25 de outubro de 2026
Durante sua campanha, o presidente Lula caracterizou as eleições de 2026 como uma escolha entre “soberania ou submissão”. O Brasil escolheu claramente a soberania.
É com imenso orgulho que os Socialistas Democráticos da América (DSA) parabenizam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a coalizão de partidos progressistas e de esquerda pela vitória e reeleição no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado no último domingo. Elogiamos a ampla gama de forças que se uniram na coalizão Brasil Pronto Pra Mais para defender a democracia brasileira e garantir essa vitória.
Esta eleição assegura direitos consagrados na Constituição Federal de 1988, como saúde pública e democracia popular. Ela retoma conquistas políticas que o governo Bolsonaro anterior havia prejudicado: o Brasil foi novamente retirado do Mapa da Fome da ONU e o desmatamento na Amazônia atingiu níveis recordes de baixa . Além disso, garante que as realizações do governo anterior continuem a beneficiar a classe trabalhadora brasileira: uma reforma histórica que eliminou jornadas de trabalho opressivas , a proibição de apostas online combinada com o alívio da dívida do consumidor , bem como o fortalecimento da previdência social para os brasileiros mais vulneráveis .
Contudo, a luta continua – a pequena margem desta vitória indica que a continuidade da luta e da mobilização será crucial. À medida que o capitalismo global falha em resolver os problemas cada vez mais graves que ele mesmo criou, os capitalistas se voltam para o autoritarismo de direita. A coalizão de esquerda do Brasil enfrentará um Congresso de direita em seu próprio país, uma administração Trump hostil nos EUA e capitalistas hostis tanto no Brasil quanto no exterior nos próximos anos. Nós, da DSA, nos solidarizamos com nossos camaradas do PT, do PSOL e dos movimentos sociais brasileiros nesta luta pela autodeterminação democrática.
Essa solidariedade significa reconhecer o papel do nosso país na ameaça à democracia brasileira. Essas eleições foram marcadas pela interferência dos EUA, seja pelas tarifas politicamente motivadas de Trump , seja pela manipulação das redes sociais por empresas de tecnologia sediadas nos EUA, como a Meta . O objetivo era subverter a democracia brasileira para favorecer seus aliados de extrema direita agrupados no “Escudo das Américas” e para se apoderar de recursos naturais cruciais, como lítio, cobalto e minerais de terras raras, além de petróleo e minério de ferro, que o Brasil possui em abundância e que Lula jurou proteger como patrimônio nacional . A DSA denuncia categoricamente esses esforços intrometidos e imperialistas. Lutamos por uma política externa da classe trabalhadora – uma política que priorize a paz, o multilateralismo e respeite a autodeterminação nacional, livre da interferência dos EUA.
Para atingir esses objetivos, a DSA acompanhou as eleições tanto no primeiro quanto no segundo turno deste mês. Nos comprometemos a continuar e fortalecer nosso trabalho de observação eleitoral em campo e nossos laços com o Brasil. Esperamos que isso possa servir de base para uma alternativa política ao atual estado das relações entre EUA e Brasil.
O Brasil não cabe no quintal de ninguém! Democracia sempre!
Essa declaração parece ter sido escrita pelo PT. Aliás, lembra muito o manifesto de fundação do PT do início dos anos 1980. De qualquer modo, os dirigentes e militantes do PT a assinariam de olhos fechados.



