Em quem votar para presidente?
Dois candidatos já podem ser liminarmente descartados
Eis os candidatos que têm pontuado melhor nas pesquisas de intenção de voto:
Lula - Neopopulista (populista de esquerda), socialista (estatista ou iliberal), usa a democracia eleitoral não para aboli-la e sim para implantar sua estratégia hegemonista, impedindo-a, porém, de caminhar para uma democracia liberal; alinhado ao eixo autocrático (Rússia, China, Irã etc. via BRICS ou Sul Global) contra as democracias liberais.
Flávio - Representante do clã Bolsonaro, nacional-populista (populista de direita ou extrema-direita), iliberal, usa a democracia eleitoral para implantar sua estratégia de ruptura (antissistema) ou de erosão da democracia, abolindo-a ou degradando-a ao final; alinhado ao trumpismo MAGA e à extrema-direita internacional contra as democracias liberais.
Caiado - Político tradicional de direita, conservador (com passado algo reacionário); antipetista (não raro em aliança tácita com o bolsonarismo, antes da atual disputa presidencial), que opera, porém, estritamente nos marcos da democracia eleitoral.
Zema - Outsider de direita que ascendeu na onda antipolítica (em aliança tácita e às vezes explícita com o bolsonarismo), mas adaptou-se à democracia eleitoral como um administrador antipetista e não há sinais de que pretenda aboli-la ou degradá-la significativamente.
Renan - Outsider que surfa atualmente na onda antipetista e antibolsonarista; usa taticamente a democracia eleitoral para construir uma força política antissistema (clonando a trajetória do PT com o sinal trocado); liberal no sentido economicista (à la Milei) e iliberal no sentido político (namora governantes autoritários como Bukele). Como ele mesmo declarou: “Sou Milei na forma e Bukele no conteúdo”.
Não há nenhum democrata liberal no conjunto de candidatos acima, mas há democratas eleitorais (alguns, porém, mais avessos do que outros à democracia liberal).
Do ponto de vista da democracia liberal todos os candidatos com alguma chance são ruins. Pela primeira vez na chamada Nova República, não há nenhum candidato de centro democrático numa eleição presidencial. Por isso, dificilmente um dos candidatos a presidente vai entusiasmar os democratas liberais. Então a decisão de voto será exclusivamente política, no sentido de que a escolha vai recair, por falta de opção melhor do ponto de vista da democracia liberal, no candidato que oferecer menos risco à democracia eleitoral no curto prazo e mais chances de não atrapalhar a formação de uma alternativa política democrático-liberal no médio prazo. Ou, então, se absterá, votará branco ou nulo, caso não consiga fazer tal avaliação - o que também é uma decisão política.
Antes, porém, que me perguntem: Lula e Flávio Bolsonaro já estão liminarmente descartados. O primeiro usa a democracia eleitoral e não quer abolí-la no curto prazo (pois a manutenção da democracia eleitoral faz parte de sua estratégia), mas sua política atrapalha a transição de nosso regime para uma democracia liberal no médio prazo (pois é populista de esquerda - e todo neopopulismo é iliberal). O segundo também usa a democracia eleitoral, mas não acredita nela (ou sua manutenção não faz parte de sua estratégia) e tem mais chances de namorar, nos curto ou médio prazos, com rupturas institucionais ou processos de erosão que podem abolí-la ou degradá-la (pois é populista de direita ou extrema-direita - e todo nacional-populismo é autoritário e iliberal).
Então em quem vamos votar? Fiz aqui uma apreciação sobre as candidaturas que mais pontuam nas pesquisas de intenção de voto, mas não sou conselheiro eleitoral. Se você é um democrata - que aposta na democracia como um valor universal e principal valor da vida pública, sabendo que a democracia que temos, conquanto apenas eleitoral e defeituosa, é necessária para caminharmos em direção à democracia liberal que queremos - terá condições de avaliar com sua própria cabeça.
Nota
Segundo o V-Dem Institute Democracy Report 2026 (dados até 2025), o Brasil é classificado como Electoral Democracy (democracia eleitoral), e não como Liberal Democracy (democracia liberal), segundo os critérios propostos no texto Regimes of the World (RoW). Segundo o Democracy Index 2025 da Economist Intelligence Unit (EIU) o Brasil é classificado como Flawed Democracy (democracia falha ou imperfeita) e não como Full Democracy (democracia plena).



