Freud e a fragilidade da ordem democrática
João Francisco Lobato, Inteligência Democrática (09/05/2026)
Pulsão, autoridade e mediações institucionais na crise democrática contemporânea
Nota Introdutória (ou disclaimer): Cumpre esclarecer que a mobilização de conceitos psicanalíticos neste ensaio não implica redução psicologizante — isto é, não se reduzem fenômenos políticos a determinações puramente psíquicas — nem afirma um determinismo psíquico que negue a autonomia de outras dimensões (instituições, história, economia). A psicanálise é aqui operacionalizada como matriz interpretativa: um conjunto de conceitos que permite problematizar dimensões do político que teorias convencionais frequentemente deixam opacas — particularmente aquelas relacionadas ao inconsciente, às pulsões, aos conflitos subjetivos que atravessam a vida democrática. Reconhece-se plenamente a validade e a necessidade de outras perspectivas interpretativas: análises institucionalistas, historicistas, economicistas e sociológicas. Cada uma delas oferece inteligibilidade legítima sobre aspectos distintos do político. A contribuição deste ensaio, portanto, é oferecer uma perspectiva complementar que enfatiza precisamente aquilo que as outras deixam de lado: a dimensão subjetiva e inconsciente que participa da constituição da vida democrática. Busca-se, assim, que este exercício enriqueça, não esgote, as possibilidades de compreensão do político contemporâneo.
A teoria democrática liberal contemporânea, particularmente em suas formulações clássicas de John Rawls e Robert Dahl, repousa sobre uma premissa fundamental: a existência de um sujeito racional e capaz de deliberação imparcial, autônomo em suas escolhas e apto para participar de processos de decisão coletiva baseados na razão comunicativa. Porém, quando confrontada com a psicanálise freudiana, essa premissa sofre uma crítica radical que vai além de simples qualificações teóricas. Freud desvela uma realidade psíquica radicalmente distinta: um sujeito atravessado pelo inconsciente, pelas pulsões agressivas e libidinais, pelos conflitos reprimidos que jamais cessam de operar nas profundezas da vida mental. Essa incompatibilidade fundamental entre o sujeito racional idealizado pela teoria liberal e o sujeito pulsional, desejante e conflituoso revelado pela psicanálise não é uma mera nuance teórica — é uma fissura constitutiva que questiona os próprios alicerces sobre os quais repousa a viabilidade democrática.
Em O mal-estar na civilização, Freud demonstra que a constituição mesma da cultura repousa sobre renúncias pulsionais estruturantes. A civilização não emerge como um espaço de livre expressão das potencialidades humanas, mas, ao contrário, como um sistema de repressão dos impulsos agressivos e libidinais que caracterizam o ser humano em seu estado mais primitivo. Essa repressão, contudo, não resulta em uma pacificação psíquica ou em uma resolução harmoniosa dos conflitos internos. Pelo contrário, ela gera um ressentimento estrutural e uma culpa constitutiva que jamais podem ser completamente superados — permanecem como cicatrizes psíquicas no âmago da subjetividade moderna. A dissatisfação não é, portanto, um efeito colateral da vida em sociedade, mas seu fundamento mesmo. Quando a democracia liberal promete autonomia, liberdade e realização pessoal, ela confronta precisamente essa ferida aberta que a psicanálise identifica como estruturante: o ser humano não pode ser plenamente si mesmo porque a civilização exige, como preço de sua existência, a renúncia àquilo que o constitui mais profundamente — seus impulsos, seus desejos, sua agressividade latente.
Essa fratura psíquica aprofunda-se quando consideramos a análise freudiana sobre O futuro de uma ilusão. Nesta obra, Freud descreve como a necessidade psíquica de autoridade e segurança metafísica é uma característica estruturante da subjetividade humana. Os indivíduos anseiam por uma figura de autoridade que ofereça certeza, ordem e proteção contra a angústia existencial. Contudo, esse anseio conflita diretamente com o ideal democrático de autonomia e deliberação igualitária, que exige precisamente a recusa de uma autoridade suprema. Esse não é meramente um “conflito teórico” de fácil resolução por meio de melhorias institucionais ou refinamentos legais — trata-se de uma fratura constitutiva do sujeito democrático que explica, em grande medida, por que democracias enfrentam recorrentes crises de legitimação e por que populismos encontram terreno tão fértil. A democracia liberal pede ao cidadão que renuncie simultaneamente a duas coisas: aos seus impulsos destrutivos (renúncia que gera ressentimento) e à segurança de uma autoridade suprema (renúncia que gera ansiedade). É um duplo sacrifício psíquico que questiona se a democracia é verdadeiramente um regime possível para seres estruturalmente marcados pela necessidade de certeza e pelo ressentimento inconsciente.
Em Psicologia das massas e análise do Eu, Freud oferece uma compreensão ainda mais perturbadora dessa dinâmica. Demonstra que em situações de incerteza, os indivíduos tendem a estabelecer relações de transferência com líderes idealizados, depositando neles a responsabilidade por suas vidas e abdicando de sua autonomia pessoal. Essa dinâmica de transferência psíquica, longe de ser uma anomalia patológica, revela uma tendência estrutural da psique humana — especialmente em contextos de contingência e insegurança. Desse modo, exatamente quando a democracia liberal mais necessita de cidadãos autônomos capazes de decisão racional, é quando as condições psíquicas para tal autonomia mais se dissolvem. A exigência democrática de autodeterminação e responsabilidade pessoal conflita diretamente com a tendência psíquica de delegação a figuras de autoridade, com a busca por fusão com o líder que ofereceria alívio da angústia existencial. Os líderes populistas, como veremos adiante, exploram magistralmente essa vulnerabilidade psíquica fundamental.
Claude Lefort, em sua análise da “invenção democrática”, oferece uma perspectiva complementar que articula essas intuições freudianas com a teoria política. Para Lefort, a democracia moderna caracteriza-se pela emergência de um lugar vazio no poder — ausência de um significante supremo que garantisse sentido e ordem transcendental. Diferentemente das sociedades tradicionais, onde o poder repousava em fundamentos metafísicos (divindade, tradição, natureza), a democracia é marcada pela impossibilidade de ocupar completamente esse lugar. Essa indeterminação fundamental é simultaneamente a condição da liberdade democrática e a fonte de sua fragilidade existencial. Visto pela ótica freudiana, esse vazio corresponde precisamente àquilo que a psique humana menos consegue tolerar: a ausência de uma figura de autoridade que tranquilize, que ofereça certezas últimas. O “lugar vazio” de Lefort expõe, portanto, uma incompatibilidade radical entre as estruturas psíquicas humanas (que anseiam por autoridade e certeza) e as estruturas políticas democráticas (que exigem tolerância à contingência e à ausência de fundamentos supremos).
Hannah Arendt, ao analisar as origens do totalitarismo e as condições da liberdade política, reforça essa compreensão. Para Arendt, a pluralidade é a condição fundamental da política — a existência de múltiplos atores, perspectivas e possibilidades de ação. A democracia repousa sobre essa pluralidade irredutível e sobre a fragilidade inerente a qualquer ação no mundo compartilhado. Nenhuma ação humana pode ser completamente controlada em seus resultados; a contingência está inscrita no coração de todo ato político. O totalitarismo, para Arendt, representa precisamente a recusa dessa pluralidade e dessa contingência — é a tentativa de transformar a vida política em um processo previsível, controlável, eliminando a incerteza por meio da supressão de qualquer fonte de alteridade. Quando lida através de uma lente freudiana, a análise de Arendt adquire uma dimensão psicológica crucial: o totalitarismo oferece alívio da angústia gerada pela pluralidade e pela contingência, oferecendo um mundo de certezas, de ordem total, de eliminação da diferença. Sua atração psíquica reside precisamente naquilo que o torna politicamente catastrófico.
Jürgen Habermas, em sua teoria da ação comunicativa, propõe um modelo alternativo para pensar a democracia: um regime fundado na razão comunicativa, na capacidade de atores racionais chegarem a um entendimento através do discurso. A democracia deliberativa de Habermas depende de competências comunicativas robustas, de cidadãos capazes de afastar seus interesses privados, de considerar com boa-fé os argumentos alheios, de revisar suas posições quando convencidos pela força do melhor argumento. Essa é uma exigência psíquica considerável — talvez excessiva, do ponto de vista psicanalítico. Freud e seus sucessores demonstraram que as capacidades racionais e comunicativas não são naturalmente dadas, mas conquistadas com dificuldade através de processos de simbolização e sublimação. A teoria habermasiana assume implicitamente que essas capacidades estão disponíveis de forma generalizada, quando na verdade sua constituição é frágil, contingente e permanentemente ameaçada pelos retornos do reprimido. O modelo deliberativo de Habermas, portanto, repousa sobre uma ilusão antropológica — a crença em uma razão comunicativa que a psicanálise mostra estar sempre já fragilizada pela presença do inconsciente.
Chantal Mouffe, em sua crítica tanto ao liberalismo quanto ao deliberacionismo habermasiano, oferece uma perspectiva que mais se aproxima de uma sensibilidade psicanaliticamente informada. Para Mouffe, o conflito não é uma patologia a ser superada através de melhor comunicação ou instituições mais eficientes — é, ao contrário, constitutivo da existência política. A agressividade e o antagonismo não podem ser eliminados; apenas canalizados em formas institucionalizadas que os transformem em “agonismo” — competição regulada entre adversários que se respeitam como legítimos, ainda que irreconciliáveis em suas posições. O modelo agonístico de Mouffe reconhece implicitamente aquilo que Freud já havia demonstrado: que as pulsões agressivas são parte indelével da constituição psíquica e que qualquer ordem política viável deve encontrar formas de canalizar e transformar essas pulsões em vez de negá-las ou repudiá-las. Nesse sentido, Mouffe oferece uma visão mais realista da democracia — uma que reconhece sua fragilidade como decorrente não de falhas institucionais remediáveis, mas de tensões psíquicas estruturantes que nenhuma instituição pode completamente resolver.
Na contemporaneidade, essas fragilidades psíquicas fundamentais manifestam-se de forma particularmente aguda. Testemunhamos uma erosão progressiva das mediações simbólicas tradicionais — linguagem compartilhada, instituições mediadoras, rituais públicos, tradições que ofereciam sentido e estabilidade. Simultaneamente, plataformas digitais intensificam afetos negativos: raiva, ressentimento, medo, ansiedade. Os algoritmos reforçam narrativas polarizadas, amplificam diferenças, dissolvem espaços de deliberação genuína. Nesse contexto de desgaste institucional e intensificação afetiva, populismos emergem como respostas psicologicamente compreensíveis — ainda que politicamente destrutivas.
O populismo funciona como um dispositivo psíquico que canaliza e redireciona a agressividade latente do corpo social. Ao oferecer narrativas radicalmente binárias — povo virtuoso versus elite corrupta, trabalho honrado versus especulação parasitária, nação pura versus contaminação estrangeira — populismos reduzem significativamente a complexidade ansiógena do mundo democrático plural. Em vez de tolerar uma multiplicidade de perspectivas legítimas, em vez de aceitar que diferentes grupos possam ter razões válidas mesmo quando em desacordo irreconciliável, o populismo oferece um inimigo único, uma causa única, uma solução única. Essa simplificação oferece alívio psíquico imediato: a agressividade difusa encontra um alvo legitimado para projeção, a ansiedade existencial é reduzida através da filiação a uma comunidade imaginária de “povo verdadeiro”, a contingência do mundo político é negada através da promessa de um futuro certo e glorioso.
Crucialmente, o populismo oferece algo que as democracias deliberativas não conseguem oferecer: compensação emocional pela renúncia. A democracia liberal, como vimos, exige uma dupla renúncia psíquica — renúncia aos impulsos destrutivos e renúncia à segurança da autoridade. Exige, portanto, que o cidadão suporte uma dose considerável de frustração, incerteza e responsabilidade pessoal. O populismo, ao contrário, promete alívio dessa frustração através da promessa de um líder que cuidará, que decidirá, que protegerá. Oferece, assim, uma regressão psíquica palatável — um retorno à confiança depositada em uma figura de autoridade que redime o indivíduo da responsabilidade pela sua própria vida e pela vida coletiva. Nesse sentido, o populismo não é meramente uma patologia política — é uma resposta racional à tensão psíquica insuportável que a democracia liberal gera.
A questão que emerge dessa análise é profunda: se a democracia liberal repousa sobre renúncias psíquicas estruturantes, se ela demanda tolerância à contingência que a psique humana naturalmente recusa, como é possível sustentar uma ordem democrática de forma estável? Como é possível que cidadãos sujeitos a pulsões agressivas, ansiosos pela autoridade, ressentidos pela renúncia, aceitem voluntariamente as frustrações que esse sistema inevitavelmente gera?
A resposta não se encontra em melhorias institucionais adicionais, nem em aperfeiçoamento dos mecanismos deliberativos. A resposta depende, fundamentalmente, de sublimação. Sublimação, no sentido psicanalítico preciso, é a transformação de pulsões socialmente inaceitáveis — particularmente pulsões agressivas e libidinais — em atividades socialmente construtivas e valorizadas. Diferentemente da repressão simples, onde o impulso é meramente bloqueado e retorna como sintoma ou angústia, a sublimação transforma a energia pulsional em formas simbólicas elevadas: arte, trabalho criativo, engajamento político legítimo, construção institucional. Para que uma democracia funcione, ela deve ser capaz de oferecer canais de sublimação que permitam aos cidadãos transformar sua agressividade em competição regulada, sua ansiedade em engajamento cívico, seu ressentimento em demanda por justiça institucionalizada.
A democracia, portanto, não é um simples arranjo institucional de pesos e contrapesos, de separação de poderes, de procedimentos de votação. É, mais profundamente, um projeto coletivo de sublimação permanente. Exige transformação contínua de impulsos destrutivos em debate público civilizado, de agressividade em competição eleitoral regulada, de ansiedade existencial em tolerância institucionalizada ao desacordo e à contingência. As instituições democráticas — parlamentos, cortes, agências regulatórias, mídia independente — funcionam como estruturas que canalizam essas pulsões transformadas. Seus procedimentos, suas regras, suas tradições de argumentação racional, oferecem continentes psíquicos onde a sublimação pode ocorrer.
Quando essas mediações institucionais se erosionam — quando a mídia deixa de ser guardiã de informação verificável e torna-se amplificadora de afetos, quando instituições perdem sua legitimidade simbólica, quando a deliberação pública cede espaço a confrontos agressivos não mediados — a possibilidade de sublimação desaparece. O resultado é uma regressão: pulsões agressivas que não encontram canais de sublimação em formas democráticas retornam como violência literal, ansiedades que não se transformam em engajamento responsável explodem em comportamentos destrutivos, ressentimentos que não se institucionalizam em demandas políticas legítimas procuram alvos para catexia persecutória. Populismos emergem precisamente nessas condições — quando a sublimação democrática falha, populismos oferecem uma pseudo-sublimação, uma transformação falsa de impulsos destrutivos em filiação comunitária que é, na verdade, um retorno à agressividade coletiva contra um inimigo comum.
A fragilidade da democracia contemporânea não reside, portanto, primariamente em falhas institucionais isoladas — embora tais falhas existam e importem. Sua fragilidade reside na dificuldade constitutiva do sujeito psíquico de sustentar a sublimação que a democracia exige. Ela reside na impossibilidade de eliminar completamente a pulsão agressiva, o anseio por autoridade, a busca por certeza metafísica. Reside no fato de que a psique humana não está naturalmente adaptada para a contingência democrática, para a pluralidade irredutível, para a tolerância permanente ao desacordo.
Isso não significa que a democracia seja impossível. Significa, ao contrário, que sua manutenção depende de um trabalho psíquico coletivo permanente — de instituições que funcionem como continentes simbólicos da agressividade, de tradições que transmitam capacidades de sublimação, de práticas que cultivem a tolerância à contingência. Significa que a democracia é sempre e necessariamente frágil, sempre e necessariamente ameaçada pelo retorno daquilo que ela reprime: a agressividade, a demanda por autoridade, a busca por certeza. Significa que sua sobrevivência depende não de sua perfeição institucional, mas de nossa capacidade coletiva de continuar realizando o trabalho psíquico de sublimação que ela demanda.
Quando esse trabalho falha — quando as instituições não conseguem mais canalizar agressividade, quando as tradições de deliberação perdem autoridade simbólica, quando as mediações institucionais se erosionam — populismos não emergem como algo exógeno à democracia. Emergem como seu avesso necessário, como a manifestação de tudo aquilo que a democracia deve continuamente repudiar para existir. Nesse sentido, populismo e democracia não são simples opostos políticos. São faces psíquicas opostas de um mesmo conflito: a dificuldade humana permanente em tolerar a alteridade, a contingência, a multiplicidade que caracterizam a vida política democrática.
A síntese dessas perspectivas — Freud sobre a repressão e o malaise fundamental da civilização, Lefort sobre o lugar vazio democrático, Arendt sobre a pluralidade e a fragilidade da ação, Habermas sobre as dificuldades da razão comunicativa, Mouffe sobre a constituição agonística do político — converge em uma compreensão mais profunda da fragilidade democrática. Não se trata de uma fragilidade remediável por meio de engenharia institucional refinada, mas de uma fragilidade enraizada nas estruturas mesmas da subjetividade contemporânea.
A tarefa que se coloca, portanto, é dupla. Primeiro, manter e fortalecer as instituições que permitem sublimação — cortes independentes, mídia pluralista, espaços públicos onde deliberação genuína ainda é possível. Segundo, e talvez mais desafiador, cultivar capacidades psíquicas coletivas para tolerar aquilo que a democracia inevitavelmente gera: contingência, pluralidade, desacordo permanente, frustração. Sem essas capacidades, sem essa disposição psíquica para sublimação, nenhuma instituição será suficiente. A democracia permanecerá, como sempre foi, frágil — dependente não apenas de estruturas políticas, mas de uma disposição psíquica coletiva que sua própria lógica continuamente ameaça desestabilizar.
REFERÊNCIAS
ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.
ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
DAHL, Robert A. Poliarquia: participação e oposição. São Paulo: Edusp, 1997.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. Rio de Janeiro: Imago, 2010.
FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e análise do Eu. Rio de Janeiro: Imago, 2011.
FREUD, Sigmund. O futuro de uma ilusão. Rio de Janeiro: Imago, 2014.
HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003.
LEFORT, Claude. A invenção democrática. São Paulo: Brasiliense, 1983.
MOUFFE, Chantal. O paradoxo democrático. São Paulo: Editora 34, 2005.
RAWLS, John. O liberalismo político. São Paulo: Ática, 2000.



