Liberdade sob cerco
O perigo chega com carícia. “Confie. Sei o que é melhor para vocês.”
Entregar ao Estado a regulamentação das mídias sociais e da internet significa ceder o próprio direito de existir. Capturado por projetos hegemônicos, ele transformaria o tema em repressão, arma eleitoral, controle de voz. Não se decide apenas sobre leis, mas sobre quem pode falar e quem será silenciado.
A justificativa seduz: conter ódio, deter mentiras, frear manipulações. Mas quem define a verdade? Tribunais, algoritmos, filtros? O palco se arma, as luzes acendem, o teatro da ordem começa com o líder preso ao microfone.
Isto não é técnica. É guerra. Poder, território, narrativa. Quem governa ocupa antenas, engole canais, delimita fronteiras do dizível. A estratégia sufoca o último sopro de pluralidade. Sob o selo do “combate à desinformação”, ergue-se um risco maior: entregar a poucos o monopólio da verdade.
O risco nasce da intenção. “Proteção coletiva” é máscara. Por trás dela, vozes domesticadas, poder blindado, algoritmos vigiados, feeds moldados, debates anulados, cidadãos que se apagam — mudos, imóveis, ausentes.
Democracias morrem sedadas. Uma palavra arrancada hoje, outra amanhã. O espaço encolhe, o ar rareia, a respiração falha. O país desperta em frangalhos. O grito tenta nascer. O ar não existe. As palavras pertencem a outros.
O antídoto é luz: processos transparentes, decisões coletivas, engrenagens expostas. A sociedade pulsa no atrito, no choque entre corpos e ideias, respira no ruído, na diferença, no incômodo, com vozes soltas, riscos assumidos e escolhas visíveis. Democracia floresce na escuta, na empatia, na cooperação.
Cabe a nós controlar o governo e resistir aos populismos. Temos a capacidade de melhorar e de compreender os ingredientes que nutrem uma esperança robusta e realista.
A liberdade é o sentido da política e o nosso primeiro e último valor. Representa a plena realização das potencialidades e forças criativas humanas, sustentando uma convivência que se reinventa e se renova.





Brilhante! Você acabou dando o caminho das pedras para os invertebrados do PT, adoradores de presidiário.