Lula alinhado a Trump e a Orbán
Rafael Ferreira, Inteligência Democrática (26/02/2026)
Lula alinhado a Trump e a Orbán. Sim, é isso mesmo. Numa simples votação nas Nações Unidas para apoio aos esforços de paz na Ucrânia, o Brasil não teve dúvida em se abster, a mesma posição dos líderes autocratas da chamada extrema-direita.
Não há que se condenar a diplomacia brasileira per si, a posição da política externa brasileira representa o que o presidente quer. Alinhamento à Rússia seja de que forma for.
A abstenção nesse caso só torna mais covarde a postura brasileira. Como sempre equiparou agressor e agredido, estabeleceu uma falsa equivalência que ignora a realidade desta guerra: a de que há um país invadindo outro, confiscando territórios e vitimando civis. Ou seja, a neutralidade aqui é uma posição favorável ao agressor. Ponto.
Se Trump e Orbán cada vez têm menos vergonha de se mostrarem como ativos russos, o brasileiro esconde seu intento sob a capa do antiamericanismo, vejam só que ironia. O antiamericano por excelência alinhado à posição do principal líder do país que abomina.
Não esqueçamos que a posição brasileira na guerra da Ucrânia fere um princípio basilar da constituição brasileira que é a defesa da autodeterminação dos povos. Aparentemente o eleitor brasileiro ignora essas questões que muitos gostam de afirmar que é menor no conjunto dos problemas que afetam a cidadania. ‘Que importância há em uma votação que não diz respeito à minha situação econômica, ao meu prato de comida na mesa?’
De fato não há qualquer indicador de que posturas alinhadas com ditadores e autocratas mundo afora afetem a possibilidade de reeleição de Lula. Mas uma posição honesta de quem avalia o presidente como paladino da democracia é denunciar sua falsidade.
Enquanto analistas gostam de gravar em qualquer candidato a marca de direita ou de esquerda, o que se passa na relação do país com a política internacional é um marcador muito mais poderoso para identificarmos as reais posições daqueles que pretendem nos representar. Qual é o real compromisso de Lula com a democracia, por exemplo? A mencionada votação na ONU indica que não é forte o suficiente para colocarmos ele no campo democrático. Simples assim.



