Maria Corina Machado
E a tentativa lulopetista de transformá-la em Geni
Aproveitaram a falta de alternativas de Maria Corina - e seu gesto de submissão ao doar para Trump a medalha do prêmio Nobel da Paz - para detratá-la. O lulopetismo e a esquerda em geral já faziam isso muito antes de ela se render a Trump. E atacavam Corina porque, no fundo, apoiavam aquela ditadura chavista, tradicional aliada de Lula e do PT.
Mas Corina não tinha mesmo muita alternativa. Vivia clandestina na Venezuela. Grande parte de sua equipe foi presa pela ditadura chavista. Foi retirada por uma operação especial para ir à Noruega receber o prêmio. Agora está fora do país e não pode voltar. Trump a descartou, mentindo que ela não tinha o respeito da população venezuelana e, em seguida, ignorando a última eleição em que a oposição saiu vencedora se aliou ao comando do regime ditatorial, dirigido ilegitimamente por Delcy Rodriguez. Pior: disse que não poderia incluir Corina no processo de transição porque se fizesse isso os militares iriam se revoltar instaurando o caos no país. Ora, se fosse assim nenhuma ditadura poderia ser derrubada. Porque os ditadores ameaçariam virar um Estado Islâmico se isso fosse feito.
Corina não pode ficar no exterior, atuando como um aitolá Khomeini na França e conspirando contra o regime. Precisa voltar para reconectar seus vínculos com a maioria da população que elegeu Edmundo Gonzalez Urrutia, seu candidato. Ela concluiu que não há como fazer isso sem a ajuda de Trump, embora Trump não queira realmente ajudá-la pois prefere uma ditadura submissa aos interesses americanos do que democracia na Venezuela. O significado das ações de Trump está claro. É melhor uma tirania governável do que qualquer democracia. Uma ditadura aliada, que respeite nossos interesses - pensa ele - é preferível à uma democracia, que teria a obrigação de prestar contas à população por entregar o petróleo e outras riquezas minerais aos Estados Unidos.
Corina não é burra. Ela sabe que Trump não quer democracia alguma na Venezuela. Que Trump não quer democracia alguma no Irã. Trump não quer democracia em lugar algum do mundo: nem nos Estados Unidos. Mas, pelo menos, quer contar com sua proteção, mesmo retórica, para ter alguma chance de continuar viva ao voltar à Venezuela e, algum dia, voltar à concorrer a eleições.
Os detratores de Corina apontam um rosário de erros que ela estaria cometendo. Dizem, por exemplo, que ela não deveria ter apoiado a captura de Maduro, mas o que ela poderia fazer se a maioria da população - aquela que a apoia - apoiou a ação americana? Sair em caravana pelo país explicando ao povo qual seria a posição correta? E como ela conseguiria fazer isso se estava vivendo na clandestinidade?
Os democratas não podemos concordar com essa orquestração para jogar bosta na Corina como uma espécie de Geni. Possivelmente ela errou ao exagerar na sabujice pragmática. Nenhum líder consegue acertar sempre. Estamos diante de um daqueles casos em que o agente erra porque dificilmente poderia não errar. A menos que ela optasse pelo martírio, voltando à Venezuela de qualquer jeito, sem qualquer intelocução com Trump, para sublevar as massas e ficando então exposta à repressão brutal do regime que, depois de lhe roubar as eleições, lhe roubaria a vida.




Peço vênia para discordar completamente, pois sabujice é sabujice e não cabe em um politico (não é, Geraldo Alckmin?) nem em ninguém.
A sabujice não garantiu nada positivo para Maria Corina e, se até a absurda cessão do prêmio Nobel a um pedófilo ela havia feito tudo certo, depois dessa vamos aguardar novos equívocos fundamentais. Além disso, o psicopata Trump não é conhecido por honrar acordos e até o “bom dia” dele é falso