Não escolho entre um populista de esquerda e um populista de direita. Não tenho ilusão de ser seguido por multidões nessa opção. Como democrata liberal, faço parte de uma ínfima minoria.
Alguns me dizem, num estilo meio Dilma: “Ah! Mas se você não votar no Lula o Flávio Bolsonaro ganha”. Ora, não vou deixar de criticar Lula e o PT por causa disso. Meu voto é irrelevante e minha influência muito limitada em termos eleitorais.
Ademais, as eleições de 2026 não vão resolver os nossos problemas. A crise institucional, que já está instalada, continuará e se aprofundará. Seja qual for o eleito, prosseguirá a degeneração das instituições brasileiras e aumentarão os riscos de autocratização da nossa democracia.
Não vou fazer campanha indireta para Lula, repetindo dia e noite que Flávio é golpista, como estão procedendo alguns declarados democratas liberais que adotam o álibi de “progressistas” para atuar como linha auxiliar do governo, do PT e da esquerda socialista.
Se você é um democrata liberal não pode, até por decência, ficar repisando a ideia de que só golpes de Estado ameaçam a democracia. Não pode alertar apenas para o perigo do golpismo (à moda antiga, desferido com protagonismo militar) que quer derruir as instituições da democracia, e deixar de dizer que a democracia pode ser erodida por dentro, pela captura das instituições para colocá-las a serviço do projeto de poder de um partido hegemonista (o qual, pelo fato de não ser golpista em termos clássicos, nem radical ou extremista, não deixa de ser avesso à democracia liberal). Se faz isso, engana o distinto público.
E eu não vou enganar ninguém.
Se Flávio for eleito, o Brasil se alinhará aos EUA (e integrará o Escudo das Américas de Donald Trump) além de se aproximar da direita populista internacional (entre outros, Le Pen, Meloni e Salvini, Farage, Abascal, Ventura, Netanyahu e até a AfD) e transigirá com Putin. Mas é improvável que, por causa disso, Trump vá invadir militarmente o Brasil ou roubar nossas riquezas minerais, como as terras raras e o petróleo da margem equatorial.
Também é improvável que Flávio consiga dar um golpe de Estado à moda antiga, pois não conta, assim como seu pai já não contava, com apoio militar para tanto.
Mas a famiglia Bolsonaro é realmente um horror e ninguém sabe o que poderá acontecer quando voltar ao governo.
Se Lula for eleito o Brasil se aproximará ainda mais das maiores (e menores) ditaduras do planeta que compõem 80% do BRICS a pretexto de combater o imperalismo norte-americano e se afastará das democracias liberais (como as que estão na OCDE) em nome da defesa do multilateralismo (e contra o neocolonismo europeu) do chamado “Sul Global” (continuando a apoiar Rússia contra Ucrânia, China contra Taiwan e Irã contra Israel).
Como Lula e o PT não são golpistas, nem extremistas (que apostam na ruptura), não darão nenhum tipo de golpe de Estado à moda antiga, mas é certo que aprofundarão o processo, iniciado no início do século, de conquistar hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado controlado pelo partido para se prorrogar no governo por tempo suficiente, até conseguir alterar o DNA da democracia, substituindo-a por cidadania ofertada para o povo pelo líder populista e seu partido.
E como Lula e o PT não vão expulsar do país cerca da metade da população brasileira que não gosta deles (e escolherá parlamentares de oposição ao governo) e como esse imenso contingente não vai ser evaporado por bombas termobáricas, será um governo altamente instável. Sem maioria no Congresso Nacional e nos governos e parlamentos estaduais e municipais, nas mídias sociais e nas ruas, Lula terá de governar com o STF funcionando como um tribunal de exceção num clima fake de defesa da democracia e da soberania, como se o 8 de janeiro fosse uma ameaça de golpe permanente, até 2030 e além. O pior é que, nomeando mais quatro “Dinos”, o PT estabelecerá uma maioria tão esmagadora na suprema corte que só poderá ser revertida na segunda metade do século 21.
Sabendo de tudo isso, caro leitor, vote você em quem quiser. Eu não voto. Meu papel é outro. Pode contar comigo, entretanto, para construir uma alternativa de centro democrático liberal para 2030.




Voto Renan Santos 14! Depois nem saio de casa. Que venha o imponderavel!