Não haverá paz no Oriente Médio
Nem no curto prazo, nem no médio prazo
As pessoas ficam lendo as notícias divulgadas pela imprensa e as interpretações dos analistas de política internacional e não conseguem perceber o essencial.
Não há a menor possibilidade de paz no Oriente Médio nos curto e médio prazos. A não ser que o Irã seja neutralizado.
Isso não tem tanto a ver com o fim do seu programa nuclear, com a suspensão do controle do estreito de Ormuz, com a interrupção da fabricação industrial de mísseis e drones em cidades subterrâneas sob as montanhas iranianas, quanto com o fim da sua força expedicionária no Líbano e adjacências (o Hezbollah) e o fim do apoio a cerca de duas dezenas de grupos terroristas na região que atacam Israel e outras nações aliadas dos EUA (a Irmandade Muçulmana, o Hamas, a Jihad Islâmica, os Houthis, as milícias xiitas no Iraque e na Síria etc., que promovem uma netwar global contra o Ocidente ou as democracias liberais). Esses grupos são financiados, armados, treinados e coordenados pelo Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC). Ou seja, se o IRGC não for dissolvido, nada feito.
Dissolver a Guarda Revolucionária - que está estruturada como uma espécie de SS (Schutzstaffel) e enraizada em todas as localidades e setores de atividade iranianos - é praticamente impossível a não ser arrasando o país (e talvez nem assim, como veremos adiante).
Não há saída se não houver ataque às condições de sobrevivência do país. Mas isso exigiria um acordo regional (Paquistão, Turquia e outras ditaduras muçulmanas grandes) para absorver os (inevitáveis) refugiados e, depois, reconstruir o país.
Nas circunstâncias atuais, para neutralizar o Irã, em termos militares, seria necessário, se pudesse (e devesse) ser feito:
Avariar e em alguns casos destruir as principais estradas, pontes, portos e aeroportos.
Destruir as 10 refinarias de petróleo (Abadan, Isfahan, Tehran, Bandar Abbas, Arak, Tabriz, Shiraz, Lavan, Kermanshah, Persian Gulf Star).
Destruir as 400 usinas de energia (térmicas, hidreléticas, nuclear e renováveis).
Destruir parte considerável dos cerca de 5 mil poços de extração de petróleo e gás.
Isso, porém, causaria uma catástrofe humanitária e geraria dezenas de milhões de refugiados num país de quase 100 milhões de habitantes.
Além disso, desencadearia uma onda mundial de terrorismo. O IRGC poderia virar uma espécie de Estado Islâmico Xiita (e com o apoio, aqui e ali, de vertentes sunitas do jihadismo ofensivo islâmico).
Os EUA, sem alternativa boa, ficam fazendo exigências cosméticas ao governo do Irã para um cessar-fogo que salve Trump da humilhação e de uma derrota eleitoral, como entregar o urânio enriquecido (para fins militares) e parar de enriquecer urânio em “cidades subterrâneas” e liberar (sem pedágio) o estreito de Ormuz, que já estava liberado antes do ataque americano-israelense. Aliás, os EUA também já abriram mão de exigir que o Irã pare de fabricar em “cidades subterrâneas” misseis de longo alcance e que pare de apoiar, financiar, treinar e coordenar a ação de duas dezenas de organizações terroristas.
Não importa. O Irâ não aceitará nenhuma dessas exigências - maximalistas ou minimalistas - ou, se aceitar (de boca ou por escrito), não cumprirá nada ou quase nada do que foi diplomaticamente acertado. O Irã da teocracia e do IRGC é uma entidade revolucionária (da revolução islâmica). Essa revolução é uma jihad contra o Ocidente, contra Israel e as democracias liberais e, no limite, contra todos os infieis. Esse Irã não faz guerra. Ele é a guerra.
Enquanto isso, 80% da sociedade iraniana continua sob a opressão do minoritário regime maligno. As pessoas não podem saber o que está acontecendo no seu próprio país e nem podem contar ao mundo o seu sofrimento. Estão sendo presas, torturadas e mortas sem julgamento e ninguém fica sabendo. Estão começando a passar necessidades, com escassez e alta inflação de alimentos, e ninguém fica sabendo.



