Nas origens de nossa degeneração institucional
Um resumo
Essa degeneração institucional que estamos vendo no Brasil não caiu do céu. Foi construída durante décadas pela atuação de uma força política iliberal disposta a implantar sua estratégia de conquista de hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado controlado pelo partido.
O objetivo dessa força política nunca foi dar golpe de Estado e sim vencer eleições sucessivamente para se prorrogar no governo, violando a alternância democrática.
Seu modo de atuação foi ocupar as instituições do Estado e da sociedade para privatizá-las partidariamente, colocando-as a serviço do seu projeto de poder (e, querendo ou não, isso degenera as instituições).
Seu objetivo final é alterar por dentro o DNA da democracia, substituindo-a por cidadania ofertada para “o povo” pelo líder populista.
Para tanto, ela se alinha politicamente a regimes do eixo autocrático (como Rússia, China, Irã, Angola, Cuba, Venezuela, Nicarágua etc.) em luta contra as democracias liberais, colocando a noção de soberania nacional acima da democracia como valor universal.
Não podendo fazer maioria no parlamento e não conseguindo aparelhar as forças armadas e policiais e a totalidade dos órgãos de controle, essa força política, se delongando na governo, está conseguindo colonizar a suprema corte, os tribunais superiores e o ministério público.
E além disso está hegemonizando as organizações da sociedade, como os coletivos de juristas “pela democracia” (e.g. grupo Prerrogativas), os institutos de pesquisa de opinião e as agências de checagem, uma infantaria de jornalistas dos grandes meios de comunicação e da rede suja de sites e blogs (e.g. DCM), as universidades (sobretudo nas áreas de humanas das federais), muitas ONGs e movimentos sociais, os sindicatos, centrais e associações profissionais, os meios artísticos e culturais (via artistas famosos) e os partidos satelizados (alinhados ao eixo autocrático).
Como viu que não conseguiria implantar essa estratégia por meio da cataquese ideológica, convertendo individualmente os agentes políticos e sociais para aderirem ao seu ideário, essa força política lançou mão de todos os meios, legais e ilegais, legítimos ou ilegítimos, ao seu alcance, inclusive a cooptação e a corrupção, depositando seus ovos dentro da carcaça podre de um sistema político que já vinha se degenerando rapidamente.
Foi assim que surgiram o mensalão, o petrolão e uma infinidade de escândalos dos governos Lula I e II, Dilma I e II e, novamente, Lula III, que desembocaram agora nas fraudes do INSS (em que parece estar envolvido o próprio filho do presidente) e no golpe do banco Master e assemelhados que está dragando as mais altas instituições da república.



