O excesso de identidade
Aprendizagem, conservação e democracia a partir de Humberto Maturana
Aprender é uma coisa estranha
Temos uma compreensão bastante confortável sobre o que significa aprender. Aprendemos uma língua, uma profissão, uma nova ferramenta, aprendemos sobre história, economia ou física, aprendemos a cozinhar, dirigir, educar nossos filhos. Em quase todos esses usos existe a imagem de alguma coisa que antes estava fora e que, depois de algum esforço, passa a estar dentro de nós. Uma informação que não tínhamos, uma habilidade que adquirimos, uma explicação que passamos a conhecer. Aprender, nessa acepção, é quase sempre um processo de adição. Eu era alguma coisa e, depois da aprendizagem, continuo sendo basicamente a mesma coisa, acrescida de algo que agora sei.
Há aprendizagens que cabem perfeitamente nessa descrição. Só que algumas das experiências que mais nos modificam parecem funcionar de outro jeito. Depois delas, é difícil dizer que simplesmente sabemos algo que antes desconhecíamos. Alguma coisa em nós foi reorganizada. Uma convicção perdeu força, uma explicação deixou de funcionar, uma relação que parecia óbvia passou a ser vista de outra maneira. Às vezes olhamos para uma posição que defendíamos 10 anos atrás e temos dificuldade até de reconstruir como ela nos parecia tão evidente. Seguimos reconhecendo nossa história, nosso nome, nossas relações, alguma continuidade que permite dizer que somos a mesma pessoa, enquanto uma parte daquilo que organizava nossa forma de existir já não está ali. Aprender, nesses casos, parece exigir uma estranha combinação entre permanência e transformação: alguma coisa precisa deixar de ser como era para que possamos continuar sendo.
Foi Humberto Maturana quem construiu uma das maneiras mais interessantes de pensar esse problema. E ele chegou a isso por uma pergunta anterior à aprendizagem, à educação ou à política. Maturana queria entender o que é um ser vivo.
A resposta desenvolvida por ele e Francisco Varela passa pelo conceito de autopoiese. Um ser vivo é uma unidade que produz continuamente os componentes e relações que permitem sua própria produção. A palavra pode afastar quem encontra Maturana pela primeira vez, porque soa mais complicada do que a intuição que carrega. Pense numa célula. Ela mantém uma membrana que a distingue do meio, produz componentes necessários ao seu metabolismo e mantém uma rede de processos que continuamente refaz as condições de existência daquela própria célula. Enquanto essa organização consegue se conservar, há vida. Quando ela se desfaz de maneira irreversível, aquela unidade viva deixa de existir.
Maturana faz aqui uma distinção especialmente útil entre organização e estrutura. A organização corresponde às relações que precisam ser conservadas para que determinada unidade continue pertencendo à classe que a define. A estrutura é a realização concreta dessa organização em cada momento. E a estrutura muda o tempo inteiro. Nossas moléculas mudam, nossas conexões neurais mudam, nosso corpo muda, nossas relações com o ambiente mudam. O organismo que chega ao fim de um dia já carrega uma história estrutural diferente daquele que acordou pela manhã. Ainda assim, reconhecemos uma continuidade. Há alguma coisa que se conserva através da mudança.
Isso cria uma formulação quase paradoxal da vida: viver exige mudar para continuar sendo.
A vida existe perto de uma fronteira
Essa mudança permanente acontece em relação com um meio. Um organismo encontra temperatura, alimento, outros organismos, ameaças, possibilidades e uma quantidade praticamente incalculável de perturbações ao longo de sua existência. Essas perturbações não dizem ao organismo exatamente como ele deve mudar. Na linguagem de Maturana, a estrutura do próprio organismo determina quais mudanças podem ocorrer a partir de cada encontro. O ambiente perturba; o sistema responde segundo as possibilidades que sua história estrutural tornou disponíveis.
Quando essas relações se repetem ao longo do tempo, organismo e meio constroem uma história de mudanças congruentes. Maturana e Varela chamaram isso de acoplamento estrutural. O ser vivo muda enquanto vive em determinado meio, e essas mudanças alteram a maneira pela qual poderá se relacionar com perturbações futuras. A história passa a participar das possibilidades do presente.
É aqui que aprendizagem ganha um significado muito diferente de acumular informações. Um organismo aprende quando sua história de relações modifica sua estrutura de tal maneira que modifica também seu domínio de condutas possíveis. Depois daquela história, ele já pode agir de formas que antes não estavam disponíveis, ou passa a responder de outra maneira a situações que já havia encontrado. Aquilo que aconteceu permanece nele na forma de uma transformação que participa de suas possibilidades futuras.
Existe, porém, uma condição radical para que toda essa história continue acontecendo. As transformações precisam ser compatíveis com a conservação da organização que mantém aquele ser vivo existindo. Há uma fronteira. Enquanto as mudanças permanecem dentro de um espaço compatível com a autopoiese, a história continua. Quando uma transformação rompe de maneira irreversível essa organização, termina também a história daquele organismo. No limite dessa fronteira está a morte.
Maturana não diz que precisamos chegar perto da morte para aprender. Essa extrapolação seria indevida. O que sua biologia permite perceber é algo mais interessante: a morte dá um limite concreto ao espaço de transformações possíveis de um ser vivo. A vida acontece enquanto o organismo consegue mudar conservando aquilo que permite que ele continue vivo. Por isso gosto de pensar a aprendizagem, levando a intuição de Maturana um pouco além de sua formulação original, como transformação histórica sob condição de conservação da existência.
Aprender, nesse sentido forte, é mudar para poder continuar sendo.
Alguma coisa em nós precisa poder morrer
Quando levamos essa ideia da biologia para a experiência humana, a morte deixa de precisar ser entendida literalmente. Pessoas conservam muito mais ao longo da vida do que sua organização biológica. Conservamos identidades, relações, explicações sobre o mundo, compromissos, pertencimentos, memórias, valores. Construímos uma narrativa razoavelmente coerente sobre quem somos e precisamos reconhecer alguma continuidade nessa narrativa para conseguir habitar nossa própria história.
É por isso que determinadas aprendizagens custam tão pouco e outras parecem quase insuportáveis. Posso descobrir que estava errado sobre a população de uma cidade e incorporar o número correto sem reorganizar praticamente nada em mim. Posso aprender uma nova função de um programa, uma palavra em francês ou o caminho mais rápido para chegar a determinado lugar. Há pouco de mim em jogo. Outras ideias estão ligadas a estruturas muito mais profundas da nossa identidade. Uma convicção política pode estar conectada à família em que crescemos, aos amigos que escolhemos, à imagem moral que construímos de nós mesmos, às pessoas que admiramos, às causas às quais dedicamos anos e à comunidade à qual sentimos pertencer. Alterar uma dessas convicções pode exigir uma reorganização enorme.
É aí que a aprendizagem se aproxima metaforicamente de uma experiência de morte. Uma explicação que me organizava precisa poder morrer. Uma certeza precisa poder morrer. Em casos mais difíceis, uma parte da identidade pela qual eu me reconhecia precisa poder morrer. Continuarei sendo eu depois disso, carregando inclusive a história daquela convicção, só que o “eu” que emerge da experiência já não é estruturalmente idêntico ao que entrou nela.
Essa disposição tem um preço. Quanto mais uma crença participa daquilo que entendo como minha identidade, maior será a tendência de experimentar uma contestação dessa crença como contestação da própria pessoa. O argumento chega e encontra mecanismos de conservação muito anteriores à avaliação racional de suas premissas. Eu me defendo. Procuro a inconsistência de quem fala, encontro uma exceção, lembro de algum exemplo favorável à minha posição, desqualifico a fonte, procuro pessoas que confirmem minha interpretação. Somos extraordinariamente competentes em continuar pensando aquilo que já pensávamos.
Existe uma ironia aqui. Essa capacidade de conservação é parte do que permite que tenhamos identidade. Uma pessoa que reorganizasse completamente suas convicções diante de qualquer perturbação seria incapaz de construir uma história minimamente coerente. O problema aparece quando a conservação se torna rígida a ponto de impedir que a experiência deixe marcas. Nesse momento, já conseguimos atravessar uma quantidade enorme de encontros sem permitir que nenhum deles modifique significativamente o espaço a partir do qual encontramos o próximo.
O outro como perturbação
É difícil pensar a experiência humana sem o outro. Grande parte daquilo que aprendemos nasce de relações, e uma parte importante dessas relações coloca diante de nós pessoas cuja história produziu maneiras diferentes de perceber, explicar e habitar o mundo. O outro carrega uma trajetória estrutural que eu não tive. Viu coisas que não vi, sofreu consequências que não sofri, cresceu sob regras diferentes, pertenceu a outros grupos, leu outros livros, teve outros medos. Sua simples presença pode introduzir uma perturbação no sistema relativamente coerente pelo qual organizei minha realidade.
Conviver com essa perturbação exige uma capacidade bastante particular: permitir que a relação participe daquilo que serei depois dela.
Essa frase me parece importante porque podemos conversar muito sem aprender quase nada. Podemos debater, argumentar, ouvir educadamente, fazer perguntas e até compreender intelectualmente a posição alheia enquanto preservamos intacta a estrutura que levamos para a conversa. Há discussões políticas de horas em que cada participante termina exatamente onde começou, acrescido apenas de novos argumentos para defender melhor a posição anterior. Houve comunicação. Houve linguagem. Houve uma interação social intensa. A história deixou pouquíssima transformação.
O problema se agrava quando o pertencimento ao grupo passa a depender da conservação de determinadas posições. Mudar deixa de carregar apenas o custo cognitivo de reconhecer um erro. Passa a carregar um custo social. Posso decepcionar pessoas próximas, parecer incoerente, perder reconhecimento dentro de uma comunidade, admitir que tratei injustamente alguém durante anos ou descobrir que uma pessoa que aprendi a considerar moralmente inferior tinha razão sobre alguma coisa. Em ambientes políticos muito polarizados, algumas ideias funcionam quase como senhas de pertencimento. Sabemos quais posições alguém “deveria” defender depois de conhecer duas ou três posições anteriores. E frequentemente acertamos.
O tribalismo oferece uma solução extremamente eficiente para o desconforto provocado pelo outro: reduzir a exposição a perturbações capazes de nos modificar. Construímos ambientes informacionais mais homogêneos, seguimos pessoas que compartilham nossas premissas, aprendemos quais veículos são confiáveis para “gente como nós”, encontramos explicações antecipadas para os argumentos do outro grupo e desenvolvemos uma linguagem que permite reconhecer rapidamente quem pertence a cada lado. Aos poucos, a posição contrária deixa de carregar uma possibilidade real de aprendizagem porque já sabemos de onde ela vem antes mesmo de escutá-la.
As redes sociais aumentaram brutalmente nossa capacidade de fazer isso, embora tenham criado o fenômeno em cima de uma disposição humana muito mais antiga. Tribos políticas precedem algoritmos em alguns milhares de anos. O que a infraestrutura digital fez foi permitir uma seleção cotidiana muito mais precisa das perturbações às quais aceitamos nos expor e, ao mesmo tempo, oferecer recompensas sociais imediatas pela demonstração pública de fidelidade ao grupo. Uma convicção deixa de existir apenas na nossa cabeça quando recebe curtidas, compartilhamentos, seguidores, reconhecimento e vínculos sociais. Ela ganha uma pequena estrutura de incentivos ao redor.
Nesse ambiente, mudar de opinião pode parecer uma espécie de deserção.
Democracia como modo de vida
Maturana tratou a democracia em diversos momentos como um modo de convivência, uma forma de viver juntos baseada no reconhecimento da legitimidade do outro. Essa formulação leva a democracia para um lugar anterior ao desenho institucional. Eleições, parlamentos, constituições, tribunais e regras para a alternância de poder são conquistas políticas extraordinárias e dão materialidade a essa forma de convivência. Ainda assim, nenhuma arquitetura institucional consegue produzir sozinha pessoas capazes de compartilhar um mundo com aqueles que pensam diferente delas.
A democracia, em seu sentido forte, exige aprendizagem.
Essa exigência aparece porque uma sociedade democrática coloca pessoas diferentes em relação permanente. Grupos disputam recursos, valores, reconhecimento e interpretações sobre o passado e o futuro. Cada geração introduz novas experiências nessa convivência. Tecnologias alteram relações econômicas. Mudanças culturais reorganizam comportamentos antes considerados estáveis. Novos grupos conquistam voz política e obrigam a sociedade a ouvir experiências que antes permaneciam fora de seus espaços de decisão. Uma democracia viva está cheia de perturbações.
Sua capacidade de atravessar essas perturbações depende da possibilidade de que seus participantes se modifiquem durante o processo. Uma sociedade em que todos entram no debate público comprometidos com a conservação integral de suas identidades políticas pode manter uma disputa organizada durante algum tempo, só que vai perdendo a capacidade de construir qualquer coisa em comum. Cada encontro serve para medir forças. Cada eleição vira uma batalha pela sobrevivência. Cada concessão parece fraqueza. Cada mudança de posição parece traição.
O adversário também muda de natureza. Enquanto reconheço sua legitimidade, preciso conviver com a possibilidade incômoda de que alguma parte de sua experiência tenha algo a ensinar à minha. Quando retiro essa legitimidade, ganho uma proteção cognitiva poderosa. Já não preciso ser perturbado por ele. Seus argumentos podem ser explicados por sua ignorância, seu interesse econômico, sua falta de caráter, sua manipulação, sua ideologia ou qualquer outra categoria suficientemente ampla para tornar desnecessário escutar aquilo que está sendo dito. Deslegitimar o outro é uma maneira muito eficiente de conservar a si mesmo.
É por isso que a polarização política produz algo mais grave do que discordância. Discordância é matéria-prima da democracia. Uma sociedade grande, desigual, culturalmente diversa e atravessada por histórias diferentes terá conflitos profundos. O problema aparece quando organizamos esses conflitos em identidades tão rígidas que qualquer transformação provocada pelo encontro ameaça nossa sensação de continuidade. A partir daí, nossa capacidade de aprender coletivamente começa a diminuir.
A pequena morte que a democracia exige
Talvez uma democracia dependa de algo psicologicamente mais difícil do que tolerar pessoas diferentes. Ela depende de pessoas capazes de admitir que uma relação com alguém diferente pode modificar quem elas serão depois.
Isso exige alguma segurança sobre a própria continuidade. Preciso conseguir abandonar uma posição sem experimentar o abandono como destruição de mim mesmo. Preciso reconhecer que estava errado sem concluir que minha história inteira perdeu valor. Preciso conseguir descobrir inteligência em alguém de quem discordo profundamente. Preciso atravessar a mudança e ainda reconhecer a mim mesmo do outro lado.
Existe uma pequena morte envolvida nisso. Morre uma versão de mim que já não consegue sobreviver à experiência. A expressão é deliberadamente forte porque a resistência que sentimos diante de certas aprendizagens também é forte. Quem já precisou abandonar uma convicção que organizou parte importante da própria vida conhece a sensação. Durante algum tempo, ficamos sem uma explicação pronta para ocupar o lugar da anterior. Há uma espécie de desorganização. Depois, se conseguimos atravessá-la, reorganizamos a experiência incorporando aquilo que aconteceu. Continuamos sendo. Só já não somos exatamente quem éramos.
Podemos aplicar a mesma lógica a grupos. Partidos políticos aprendem quando sua história os modifica. Movimentos sociais aprendem. Instituições aprendem. Comunidades científicas aprendem. Sociedades inteiras podem aprender quando acontecimentos produzem transformações que permanecem em suas práticas, regras e formas de convivência. Em todos esses casos existe uma tensão entre identidade e mudança. Um grupo precisa conservar alguma continuidade para continuar reconhecendo a si mesmo e, ao mesmo tempo, permitir transformações suficientes para que sua história importe.
Uma identidade capaz de atravessar qualquer experiência sem ser modificada por ela se torna incapaz de aprender com a experiência.
Talvez seja esse um dos riscos mais sérios das identidades políticas contemporâneas. Estamos ficando muito bons em conservar. Desenvolvemos linguagens, comunidades, canais de informação e mecanismos de reconhecimento que tornam cada vez mais fácil permanecer estruturalmente parecidos conosco mesmos. Conseguimos encontrar diariamente centenas de pessoas dispostas a confirmar nossa interpretação de praticamente qualquer acontecimento. E quanto maior a ameaça percebida do outro lado, maior a pressão interna pela conservação da identidade do grupo.
A democracia começa a adoecer quando preservar quem somos se torna mais importante do que conservar nossa capacidade de aprender com quem não somos.
Continuar sendo
Há algo bonito na imagem maturaniana da vida porque ela resolve uma aparente contradição que atravessa também nossa experiência política. Conservação e mudança convivem dentro do mesmo processo. Um ser vivo permanece vivo através de uma história de transformações. Sua continuidade não depende de permanecer estruturalmente idêntico. Depende justamente de conseguir mudar dentro das condições que conservam sua organização.
Talvez possamos pedir algo parecido de nossas identidades.
Uma identidade democrática precisaria ser suficientemente estável para permitir pertencimento e suficientemente aberta para carregar as marcas dos encontros que viveu. Ela precisaria suportar a descoberta de que algumas de suas explicações estavam erradas, que pessoas do outro lado tinham razões que não cabiam em suas categorias, que certos compromissos precisam ser revistos e que mudar depois de uma experiência pode ser sinal de que aquela experiência realmente aconteceu.
Isso também muda a maneira como pensamos o diálogo. Há uma tendência a tratar diálogo como disposição para ouvir, civilidade ou capacidade de conversar sem agressão. Tudo isso ajuda. Só que a aprendizagem coloca uma exigência maior sobre a relação. Uma conversa democrática precisa carregar pelo menos a possibilidade de que eu saia dela diferente. Se essa possibilidade estiver interditada desde o início, estaremos apenas colocando identidades prontas umas diante das outras.
A história da democracia pode ser lida, em parte, como uma sucessão dessas reorganizações difíceis. Sociedades alteraram lentamente aquilo que entendiam por cidadania, direitos, representação, liberdade e igualdade porque pessoas antes mantidas fora da comunidade política conseguiram perturbar as explicações pelas quais aquela comunidade justificava sua própria organização. Cada ampliação deixou alguma coisa para trás. E cada uma exigiu que pessoas continuassem reconhecendo sua sociedade depois que determinadas certezas sobre ela já tinham morrido.
Maturana nos ajuda a perceber por que isso é tão difícil. Todo sistema vivo carrega uma história de conservação. Nós também carregamos. Queremos permanecer reconhecíveis para nós mesmos, para aqueles que amamos e para os grupos aos quais pertencemos. A democracia acrescenta uma exigência desconfortável a essa necessidade: conviver com pessoas cuja existência pode nos obrigar a reorganizar alguma coisa que gostaríamos de conservar.
Talvez aprender seja justamente adquirir essa estranha capacidade de deixar morrer aquilo que já fomos sem perder a continuidade que permite continuar sendo.
E talvez uma democracia permaneça viva enquanto seus cidadãos ainda forem capazes de fazer isso juntos.




