O gesto antes
Não foi a máquina que chegou primeiro.
Antes dela, já tínhamos
o gesto exato,
o cálculo súbito,
a resposta pronta.
Há muito erguemos escassez onde corria o rio, hierarquia onde havia encontro,
controle onde caberia cuidado.
A máquina apenas acentuou nossos hábitos
e revelou o desenho antigo do labirinto.
O perigo não é o metal sonhar,
é o humano esquecer
como se sonha em companhia.
Há outra inteligência,
avessa às métricas:
a que nasce entre vozes,
a que vive no intervalo,
a que existe quando um corpo espera o outro
e mantém o tempo do encontro.
Se houver amanhã habitável,
ele começará
quando reconhecermos o outro
e permanecermos juntos.




