O papel dos democratas no contexto atual do país
Walter Alberto Topfstedt, Inteligência Democrática (17/04/2026)
O contexto político-social polarizado contamina relações em todos os níveis e estratos sociais, desde o familiar até o nacional, desde a vizinhança, bairro, cidade e região. Isto impede que a convivência democrática floresça e se desenvolva naturalmente.
Assim, percebo que um democrata consciente de sua situação pessoal e coletiva, poderia ter uma abordagem similar a um terapeuta, tanto individual como de grupo, presencial ou virtualmente.
Ao assumir uma posição com esta configuração, o cidadão democrata primeiramente estaria “equipado” de sua experiência de vida e atuação como agente, nestes contextos mencionados.
Além disso, seria produtivo ter uma espécie de “mentoria” onde faria uma espécie de “supervisão”, para que o processo não fique restrito à sua interação com os grupos que tenham interesse no tema. Esta supervisão lhe daria uma oportunidade de troca de experiência e outras visões sobre os desafios similares encontrados no cotidiano.
Convém ressaltar que essa analogia a um terapeuta, não quer dizer que exista um juizo de valor para melhor ou pior, ou uma visão “hierárquica” do processo. Isso serve para ilustrar que, ao possuir alguma visão ou conceitos mais definidos, ele se coloca a disposição dos interessados em também desenvolver os próprios conceitos e visões, dentro do conjunto de convicções que cada um já traz no seus processos de convivencia social.
Detalhando um pouco mais, um terapeuta tem as técnicas e abordagens e procura aplicar a cada situação de seus pacientes. No caso dos democratas, seria a mesma abordagem, pois cada interação com um outro indivíduo é carregada de vários aspectos como história, valores e visão de mundo.
O democrata, diante de cenários diversos, além de saber ouvir, deve saber que o mais importante é agir democraticamente com quem está interagindo, para não ficar somente no discurso ou teoria, e sim demonstrar na prática, o que está argumentando.
Conceitos como liberdade individual e coletiva, e estrutura de controle da sociedade, onde a sociedade controla e o estado, e não o contrário, como pode parecer, devem ser o norte da interação. A partir disso, podem ocorrer situações do dia a dia de cada um, para que fique uma noção de prática na vida de todos os envolvidos.
Finalmente, como todo bom terapeuta, o democrata fará o que for possível para ele, dentro de sua realidade e circunstância, configurando espaços onde a livre interação possa ocorrer. O resultado disso dependerá mais do(s) interlocutor(es) do que dele próprio. Além do aspecto imponderável, que estará sempre presente.
Diante disso tudo, a auto-regulação para receber as frustrações e até possíveis atitudes agressivas devem ser previstas e precavidamente consideradas.
Não nos dispersemos.




Muito bom Walter. Bem vindo 👏🏻😊