O que você pode fazer pela educação?
Diante do atraso educacional do Brasil (em parte responsável pela nossa baixa produtividade e insuficiente desenvolvimento) não adianta apenas cobrar que o Estado tente copiar, centralizadamente, soluções que deram certo em outros países. Todos nós podemos - e devemos, se quisermos - fazer alguma coisa para dar um salto na educação.
“Ah! Então vamos copiar o que deu certo: na Coreia do Sul ou na Finlândia; ou mesmo no Brasil, em Sobral (no Ceará)”.
Mas o problema é que agora nada disso vai poder servir de paradigma. Não temos 10 a 15 anos para esperar os resultados, não propriamente em razão do curtoprazismo (e da descontinuidade) das políticas governamentais e sim porque a IA digital e a IA física (os robôs), muito provavelmente, vão mudar tudo em menos de 10 a 15 anos.
E, mais importante ainda: porque a escola (como burocracia da ensinagem) é ruim; de certo modo, quanto mais excelente, pior. Mais de 80% da nossa aprendizagem sempre foi sem escola (e até Tolstoi viu isso, já no final do século 19).
Se a aprendizagem não se entrelaçar com a vida social não há saída. Isso significa que tudo na sociedade deve virar escola-não-escola. Uma sociedade desescolarizada; ou totalmente escolarizada com não-escolas (como burocracias do ensinamento), porém coalhada de diferentes ambientes de aprendizagem onde seja possível realizar coinvestigação, coimaginação, cocriação, comum-celebração, que são maneiras de reprogramar os humanos, há milênios programados com “inteligência artificial” (porque baseada na produção artificial de escassez), para que virem humanos com inteligência tipicamente humana.
Se, numa era marcada pelo uso generalizado da Inteligência Artificial, insistir nas velhas formas de educação não trará os resultados esperados em tempo hábil, então não adianta de ficar esperando tudo do Estado: todos devem fazer a sua parte: os governos, as empresas e as organizações da sociedade.
Sim, as empresas devem ser também ambientes de aprendizagem, organizando suas próprias iniciativas de educação (e até estimulando a formação de startups educacionais por parte de seus dirigentes e funcionários, tendo como público-alvo os seus próprios colaboradores e demais stakeholders).
Da mesma forma, as organizações da sociedade civil devem organizar suas próprias comunidades de aprendizagem.
De modo geral todas as comunidades de vizinhança, de prática e de projeto, têm de ser também comunidades de aprendizagem.
Mas, pelas razões já expostas aqui, não adianta reproduzir a escola tradicional em todo lugar.
É necessário ensaiar processos de aprendizagem inovadores, baseados na livre-interação, no alterdidatismo (e não no heterodidatismo, que é mais ensinagem do que aprendizagem), no uso coletivo da inteligência artificial e na configuração de ambientes favoráveis à emergência de uma inteligência tipicamente humana.
A educação agora é para a vida inteira. E a educação não é apenas para crianças e jovens e sim também para adultos e idosos. É para todos, o tempo todo.
Além disso, a criança não é uma miniatura de adulto. A educação que recebe não é só para depois e sim sobreduto para agora, enquanto é criança, para viver como criança, fazendo as coisas que só uma criança pode fazer - como brincar e jogar.
E o idoso não é um adulto que se aposentou porque seu prazo de validade venceu. Ninguém se aposenta da vida (a ausência da vida é a morte). A educação que recebe deve ser para viver como idoso, explorando as atividades que só poderia fazer nessa fase da vida - como, entre outros, contemplar.
Há uma sólida fundamentação teórica sobre tudo isso que foi desenvolvida na última década.
Estou iniciando um programa para compartilhar essas coisas com mais pessoas. Se você ficou interessado, dê uma espiada no artigo abaixo:



