Os regimes refletem o modelo mental dos indivíduos
Walter Alberto Topfstedt, Inteligência Democrática (05/06/2026)
Autocracias iliberais ou democracias liberais acabam por serem manifestações exteriores da maneira que cada indivíduo percebe as interações humanas, de acordo com as situações sociais e configurações dos espaços em que eles interagem.
Explico: vários autores mencionam que um ditador não consegue implementar seu processo autocrático, se não houver quem o apoie. Se todos se revoltarem, acabam por destituí-lo do poder que ele possui. De uma certa forma, existe uma rede de apoio popular para que um autocrata permaneça em sua posição de comando e controle.
Da mesma forma, uma democracia liberal é o resultado das interações em que as pessoas tem o desejo de não terem “alguém que tenha um nível de comando superior e controle suas vidas”, e criam condições para que isso ocorra.
Então, é preciso que se tenha um “modelo mental” liberal para que o resultado de nossas interações seja uma democracia liberal. Como sempre menciona Augusto de Franco “a democracia é feita por democratas.” Se não existir uma quantidade mínima de indivíduos com esse perfil, capaz de surtir alguma alteração no estado de coisas, dificilmente uma democracia poderá ser implementada.
Até aqui é chover no molhado.
Meu ponto é detalhar um pouco mais como este “modelo mental” opera na prática, que eu observo recentemente no período pré-eleitoral.
Percebi nos últimos meses e até anos, que o debate sempre gira em torno de nomes e reputações pessoais. Ao se mencionar o nome de um possível candidato, o interlocutor já se posiciona com uma “opinião” a respeito do mesmo, com critérios pessoais sobre o que ele acredita que o nome mencionado possui ou não, para ter uma candidatura válida.
No meu entender, este é um “modelo mental” quase de um populismo, pois o que predomina é a opinião pessoal de cada indivíduo a respeito de uma pessoa somente, e não por um projeto de governo ou programa partidário.
A meu ver, o que seria uma versão mais “democrática” de um “modelo mental” individual, seria a prioridade para um conjunto de propostas e iniciativas que “dialogam” com as convicções de cada um, com o que ele imagina que seriam as condições de convivência mais adequadas e que valoriza.
Somente depois disso, é que se pensaria em quem poderia ser o “portador” dessas propostas e que representaria melhor este papel.
O que vejo atualmente é exatamente o oposto disso. A cada quatro anos, nos encontramos em um ponto onde temos uma lista de nomes, e acabamos por escolher o menos pior. Isso quando é possível, e que está se tornando cada vez menos provável.



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