Não é possível esconder o mérito da questão. Alexandre de Moraes - aquele que organizou em sua própria casa uma reunião dos chefes dos poderes executivo e legislativo para que todos apoiassem a reeleição de Lula - tem que se explicar sobre o mérito da questão:
A mulher de Moraes assinou um contrato de 130 milhões com Vorcaro e Moraes ainda editou o contrato. Por que?
Vorcaro deu cartões de crédito com limite de 300 mil para os filhos de Moraes. Por quê?
Vorcaro colocou avião e helicoptero à disposição da família de Moraes? Por que?
Moraes avisava Vorcaro para que ele pudesse escapar da polícia. Por que?
Moraes foi na degustação de whisky em Londres às expensas de Vorcaro (assim como Paulo Gonet e Andrei Rodrigues). Por que?
É preciso não perder o foco. No foco estão as relações de Moraes com Vorcaro (Moraes atuando como uma espécie de consigliere da máfia do Master). Na plenária do STF, no dia 15 de setembro de 2026, ou Moraes renuncia ou pede licença enquanto for investigado (pois não há uma explicação convincente, que o inocente, para sua associação corrupta com Vorcaro). Se não fizer isso, a crise no STF vai continuar. Não adianta escapar da investigação por maioria.
Sim, estão querendo abafar o escândalo de Moraes votando por maioria no plenário do STF a sua absolvição preventiva. Se uma maioria a favor de Moraes se formar, a crise vai se agravar, a credibilidade do STF vai cair ainda mais e a avalição de Lula, notório aliado de Moraes, pode piorar muito.
Mesmo assim, Lula ainda pode vencer a eleição.
Entretanto, se Lula vencer a eleição, nessas condições, não estará mais governando uma democracia digna desse nome. O regime político brasileiro, que já é uma democracia não-liberal (segundo o V-Dem) e uma democracia defeituosa (segundo a The Economist Intelligence Unit), vai virar um regime híbrido (como o do México) em queda para uma autocracia eleitoral.
De sorte que, se a crise no STF não for resolvida, os que pretendem reeleger Lula têm que tomar consciência do que isso pode significar. E, entre muitas outras coisas, pode significar:
_|_ Permitir que o autoritário Alexandre de Moraes, sobre o qual pesam graves provas de corrupção, seja inocentado preventivamente (quer dizer, não investigado; ou investigado e não tornado réu; ou investigado, acusado, julgado e não condenado) para assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal em 2027.
_|_ Permitir de Paulo Gonet, também envolvido no caso Master, continue atuando como uma espécie de funcionário de Moraes e bloqueando todas as investigações ou se recusando a apresentar denúncias sobre corrupção no governo Lula e sobre as associações corruptas dos seus aliados.
_|_ Permitir que Dias Toffoli, sobre o qual pesam sérias provas de corrupção (no caso jamais explicado Tayayá-Vorcaro), seja de novo inocentado preventivamente (posto que já o foi uma vez em reunião secreta do STF) e continue na suprema corte até 2042.
_|_ Permitir que a Polícia Federal continue atuando, por meio de sua direção e de sua ala governista, como polícia política e decidindo o destino das eleições, como está tentando fazer agora em 2026 e poderá fazer de novo, em dose aumentada, em 2030.
_|_ Permitir que o STF seja completamente aparelhado pelo PT com uma maioria governista de 7 a 8 membros (Moraes, Gilmar, Zanin, Toffoli, Dino e mais 3 ou 4 “Dinos” que Lula vai nomear) - maioria que só poderá ser alterada na segunda metade do século.
Não há saída!
Não há saída porque, mesmo que o plenário do STF resolva investigar Moraes e essa investigação de fato acontecer, cabe ao Procurador Geral da República apresentar a acusação para que haja um julgamento. Se Paulo Gonet permanecer no cargo, não fará isso.
Não há saída porque o consórcio formado para reeleger Lula - juntando PT e partidos satelizados, o próprio governo, o PGR, a direção da PF, a facção governista do STF e as presidências da Câmara e do Senado - não vai recuar.
A única saída é Lula não ser reeleito.
A alternância é chave para quebrar o processo petista de conquista de hegemonia sobre a sociedade iniciado em 2003 e retomado com a volta de Lula ao governo em 2023.
Jornalistas e analistas políticos ainda não viram claramente esse risco à democracia. Viram que a chamada extrema-direita é um risco à democracia, mas não viram que a esquerda que ameaça a democracia não é a extrema-esquerda, minoritária, coitada. É a esquerda populista que comanda o atual governo, a esquerda majoritária, a esquerda que abandonou a ruptura revolucionária e adotou a via eleitoral, uma esquerda que não é golpista, nem extremista. Porque ela não quer dar golpe de Estado e sim conquistar hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado aparelhado pelo partido para alterar, por dentro, o genoma da democracia, trocando-a por cidadania ofertada para o povo pelo líder populista. Essa esquerda tem, entretanto, raízes marxistas e foi ela que implantou o "nós contra eles" inaugurando a polarização.
O diabo é que se alternativa a Lula (populista de esquerda) for Flávio Bolsonaro (populista de direita) teremos um outro tipo de risco à democracia, se houver um alinhamento do novo governo a Trump e às demais forças nacional-populistas ditas de extrema-direita.
Ou seja, ambos os candidatos que atualmente lideram as pesquisas de intenção de voto são iliberais ou contrários à democracia liberal (basta ver que a esquerda e a direita populistas apoiam Putin).
Por isso, os democratas liberais estamos fora dessa escolha. O que não significa que os eleitores também estarão fora dessa escolha. E se as opções foram Lula e Flávio tenderão a votar no que avaliarem ser o menos pior. Mas não há menos pior no caso: cada qual é pior à sua maneira.
Eis a tragédia para a qual caminhamos se tivermos um segundo turno Lula x Flávio Bolsonaro.




Duvido muito . Ele sempre dobra a aposta . Típico de quem não se relaciona com a realidade e já não controla impulsos . Perigoso . Muito perigoso .