Rafael Ferreira, Inteligência Democrática (10/09/2026)
Qualquer solução para enfrentar a crise no Supremo que não passe pelo afastamento ou impedimento de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli será vista pela população como um acordo espúrio das elites governantes, incluído aí o Executivo. As eleições deste ano estão marcadas por essa questão, e o presidente Lula não terá como se descolar disso, a não ser que entre na campanha do impeachment, o que parece muito improvável.
Reconhecer essa tendência lança luz sobre o provável resultado: o favorecimento do candidato mais identificado com a oposição. Além disso, revela uma questão fundamental, que passa pela percepção da população de que mais quatro anos de poder do governo Lula representarão uma ameaça maior à democracia do que um eventual governo Bolsonaro.
Fique bem entendido que o compromisso do bolsonarismo passa longe da democracia. Obviamente, o golpismo ainda viceja nos corações e mentes de seus líderes e militantes.
O ponto é entender que um candidato diferente do incumbente, além de ter razões variadas para encaminhar pelo menos o impeachment de Moraes, vai estancar a sucessão de indicados aliados do lulopetismo no supremo. A alternância de poder é garantida por esse fator muito mais do que por qualquer outra variável embutida em planos de governo.
Ainda há a possibilidade de que um candidato reformista, mais comprometido com a democracia, venha a crescer nas pesquisas. Neste momento, parece remota.
No entanto, por mais triste que possa ser essa política pendular de dois populistas se revezando no poder, o componente esperança ainda parece guiar a intenção de voto. Que uma alteração na composição da suprema corte traga elementos para uma reforma maior pode elevar o grau dessa esperança. O que temos para hoje é só a expectativa de paralisar momentaneamente o aparelhamento das instituições em um sentido único.



