Os democratas devem se preparar para um quarto governo Lula e um sexto governo do PT.
Embora as pesquisas apontem um empate técnico entre os dois concorrentes, a análise política fria, entretanto, aponta para uma vitória de Lula como a mais provável. Por que? Vamos apresentar quatro razões.
1 - Porque Lula é o incumbente e distribuirá benesses eleitoreiras até às vésperas do pleito. Pelas contas do Estadão, as medidas populistas decretadas por Lula na boca da urna já tomaram 350 bilhões de reais do nosso dinheiro. E esse assalto ainda vai aumentar. É irresponsável. Mas é o PT fazendo o diabo para não sair do poder. Sim, eles não têm escrúpulos e farão qualquer coisa para permanecer no governo por longo tempo (e querem ficar no comando, pelo menos, até o final da primeira metade do século).
2 - Porque o PT está mais enraizado nas instituições do Estado e da sociedade. Essa hegemonia, construída passo-a-passo durante mais de 30 anos, não será removida por um golpe de sorte eleitoral (nem mesmo se Lula perder a eleição). Onde o PT estabeleceu essa hegemonia? Ora, nas universidades (sobretudo nas áreas de humanas das federais); nos meios de comunicação tradicionais (nas editorias e na infantaria do jornalismo); nos grupos de juristas, advogados e juízes (em associações “pela democracia”); nos meios artísticos e culturais (sobretudo os famosos de cinema e novelas de TV); nos institutos de pesquisa de opinião e nas agências de checagem; nos sindicatos, centrais e associações profissionais; nas ONGs e movimentos sociais; nos partidos alinhados ao eixo autocrático (que apoiam ditaduras, desde que sejam de esquerda); no STF e em outros tribunais; no governo federal (se não em cargos de confiança, como funcionários concursados).
3 - Porque a militância petista está travando uma guerra suja em todo lugar para deslegitimar o adversário. A campanha Lula, ao constituir um movimento para assediar e molestar pessoas, está transformando a polarização política em divisão social. O PT converteu as eleições numa questão existencial. Os militantes e simpatizantes lulopetistas não aceitam a disputa como válida a não ser se Lula ganhar, deslegitimam o concorrente e acham que não poderão manter o seu modo-de-vida se o adversário, transformado em inimigo da espécie humana, vencer. As consequências dessa perturbação no campo interativo da convivência social podem ser mais graves do que imaginamos. Toda essa energia negativa com a qual o PT está infectando a sociedade - esse exército político, esses soldados de Lula, essas mentiras grosseiras - é apenas fruto de uma paixão eleitoral que vai esfriar quando sairem os resultados das urnas? Provavelmente não. Mas não importa. Está funcionando. E eles estão conseguindo virar o jogo.
4 - Porque Flávio é um candidato frágil, sem carisma e sem biografia, sua família e seu partido não têm intimidade com o que se possa chamar de inteligência política e, fundamentalmente, porque os votos que recebeu no primeiro turno não são dele e sim contra a continuidade do governo atual. Acreditando tolamente que as pessoas o preferiram porque a maioria do eleitorado brasileiro seria “de direita”, Flávio, sua família e o PL, acharam que a eleição já estava ganha e começaram a distribuir lotes na lua. Isso desarmou a mobilização oposicionista que poderia manter, no segundo turno, o resultado favorável excepcional que obteve no primeiro.
Se tudo correr como o indicado pela análise política que estamos fazendo, em algum momento entre o final desta semana e meados da próxima, talvez um pouco depois, Lula pode encostar em Flávio ou o ultrapassar. Pela “lógica”, portanto, Lula tende a ser reeleito, embora não seja certo que isso vá acontecer.
A única maneira de Lula não ganhar a eleição
Mas a única maneira de Lula não ganhar a eleição é se houver uma espécie de insurreição eleitoral, não organizada por nenhuma força política, mas emergente de uma insatisfação (quase uma insuportabilidade) difusa com mais um governo de Lula e do PT (que está no governo desde o início do século e já cansou meio mundo).
Se Flávio perder
Se Flávio perder, já pode se declarar vitorioso pois sua função original não era vencer a eleição em 2026 e sim impedir que a oposição ao governo Lula saísse das mãos da famiglia Bolsonaro. E a oposição durante o próximo quadriênio tem condições reais de inviabilizar o governo Lula, sobretudo no Congresso. Considere-se que as pessoas não votaram em massa no PL, dando-lhe a maior bancada na Câmara, porque morrem de amores por esse partido e pelos seus candidatos, muito menos porque a maioria do eleitorado seria bolsonarista e sim porque avaliaram que esses candidatos seriam os mais decididos para confrontar o governo mal avaliado de Lula que queriam remover.
Se Lula perder
Se Lula perder, todas essas pessoas sem escrúpulos, que se assanharam no segundo turno da campanha eleitoral de 2026, gente que não se vexa em mentir porque acha que os fins justificam os meios quando a causa é moralmente superior, vão continuar por aí. Sim, elas continuarão exatamente onde estão. Esse pessoal, é bom repetir, não vai desaparecer num passe de mágica depois da abertura das urnas, seja o resultado favorável ou desfavorável aos seus desejos. Vão perdurar infestando as instituições da sociedade ou do Estado que já hegemonizam pelo tempo de, pelo menos, uma geração.
Não há perspectiva otimista para a democracia liberal
É obrigação do pensamento político que se aventura no futuro ser pessimista. Acrescente-se, porém, que qualquer previsão eleitoral - vitória do populista Lula ou vitória do populista Flávio - é pessimista do ponto de vista da democracia liberal. Ou seja, neste momento da conjuntura política brasileira, não há perspectiva otimista.
Quem quer construir uma alternativa democrática liberal para o Brasil tem que começar sabendo disso tudo que escrevi neste artigo.




É primeira leitura que faço que aponta "provável" vitória do Lula, embora de previsão incerta.
Espero que esteja enganado.