Qual seria a aposta numa candidatura Eduardo Leite?
Rafael Ferreira, Inteligência Democrática (26/03/2026)
Qual seria a aposta numa candidatura de Eduardo Leite? Uma candidatura com pouca articulação encaminhada, sem coalizões amplas ou sinal claro de viabilidade teria algum ganho para o eleitor? Ou seria só mais um nome a ser queimado como tantos outros na história recente das eleições no Brasil?
Antes de mais nada é preciso dizer, qualquer eleição é uma aposta. Não existe resultado prévio mesmo que o candidato seja um Garrincha e que ele não esteja nem um pouco preocupado ‘com os russos do outro lado’. Qualquer análise de gabinete mesmo que amparada por pesquisas as mais bem elaboradas possíveis não elimina o fator acaso, que é desconhecido.
Mas dito isso, do ponto de vista de alguém que possa aconselhar os agentes incumbidos da decisão de escolher entre Leite e Caiado mesmo sem nenhuma autoridade para isso, apenas com o sentimento e o compromisso com o aprimoramento da democracia, por que recomendaria essa aposta? Além dos próprios responsáveis por decidirem essa escolha, obviamente também tem o componente humano presente na figura representativa do candidato. Ou seja, se é uma aposta, é bom que fique claro para o homem comum que está ali quais perdas e ganhos podem advir de uma possível derrota na eleição presidencial.
Para o comandante do processo de escolha dentro do PSD, o presidente do partido Gilberto Kassab, a aposta pode ser aquela mais conservadora, de usar uma candidatura apenas como elemento agregador do partido nos diversos estados. A viabilidade eleitoral nessa linha de raciocínio nem faria tanta diferença contanto que o candidato servisse de articulador para possíveis ganhos em eleições de bancada e posições estratégicas no próximo governo.
É bom que se diga aqui que esse comportamento conservador como player importante no xadrez das decisões que servirão de base nas eleições deste ano não tem relação direta com uma possível postura conservadora em termos de políticas públicas. O conservadorismo aqui, no jogo pesado da polarização, é apenas covardia. E a covardia tem nome nesse caso, é o nome de Ronaldo Caiado.
Aqui já ficou claro que a razão de uma aposta num candidato como Eduardo Leite tem a ver com coragem. Coragem de enfrentar os esquemas que se nutrem dessa polarização para manter as estruturas intocadas. Estruturas essas que são cada vez mais questionadas pelo eleitor e que estão bastante evidentes nas últimas pesquisas publicadas sobre grau de confiança nas instituições.
De qual aposta estamos falando então? De simplesmente correr o risco de perder as eleições ou de vedar o debate sobre o aprimoramento real da nossa democracia, incluindo aí o papel dos partidos políticos que muitas vezes se assemelham a organizações piramidais onde só o chefe pode determinar o que pode ou não acontecer?
Entendo que Kassab tem a oportunidade de demonstrar sua capacidade de visão de futuro e demonstrar que está acima do papel que exerce no momento, de ultrapassar a função de um simples chefe de partido e se tornar realmente em uma liderança para novos tempos sem a polarização estiolante que vivemos no país. É a grandeza que se espera.
A candidatura Leite não é uma aposta apenas na vitória, apesar dela ser o norte que baliza a decisão do partido. Ela é uma aposta na liderança que precisamos para poder reconectar a política profissional com as pessoas comuns. Cabe ao partido e seu chefe reconhecerem que isso deve ser o papel fundamental de uma instituição política.



