Que país queremos para conviver?
A democracia se manifesta no cotidiano: no modo como tratamos o outro, organizamos decisões e enfrentamos conflitos. Sociedades que se fortalecem não operam pela lógica do domínio. Formas de convivência que merecem ser defendidas surgem quando o outro é reconhecido como legítimo — e não reduzido à função, à utilidade ou à prova constante de valor.
A vida democrática se apoia no respeito a regras comuns e na recusa de transformar adversários em inimigos. Ninguém deve estar acima dessas regras.
Democracias se desgastam quando a mentira se torna método, quando a hostilidade vira linguagem comum e quando a violência política passa a ser tolerada como parte do jogo.
Populistas se apresentam como salvadores quando criam autoridade para fazer tudo sozinhos, negando que o poder precisa ser limitado por outros poderes. Enfraquecem freios e contrapesos, capturam instituições e tratam o Estado como um direito vitalício ao poder. A política deixa de ser debate público e se transforma em culto.
Quando a submissão passa a ser exigida como condição de pertencimento, abre-se espaço para a exclusão e para o medo como instrumento político.
Liderança legítima nasce do acordo, da escuta e da responsabilidade compartilhada, e não da imposição ou da devoção pessoal.
A democracia brasileira enfrenta erosão contínua pelos populismos e a polarização tem ampliado a desconfiança e a hostilidade na vida pública. Antes que a convivência comum se torne irreconhecível, devemos conversar sobre como conter práticas populistas e seus efeitos institucionais.
Começa com uma ação individual: ter coragem para romper com a repetição por inércia; ter disposição para abandonar práticas esgotadas; e ter determinação para recusar atos de desumanização.
Democracias plenas distribuem poder, mantêm redes responsáveis, protegem a pluralidade e preservam espaços reais de deliberação.
Nessas sociedades livres, a liberdade é estrutural. Ela amplia possibilidades reais de escolha, participação e ação, permitindo que vidas sejam conduzidas com dignidade.




