Mauai M. H. Toledo, Inteligência Democrática (02/11/2026)
Hoje é Dia de Finados.
Um dia em que somos convidados a trazer para o presente a lembrança de quem partiu.
Visitamos cemitérios, revisitamos fotografias, contamos histórias, conversamos sobre pessoas que fizeram parte da nossa existência.
Não é que deixemos de lembrar delas nos outros dias.
Mas hoje existe um convite coletivo à memória, à saudade e à gratidão.
Às vozes que não ouvimos mais. Aos abraços que não podemos repetir. Às conversas que ficaram pelo caminho.
E também a tudo aquilo que ainda poderíamos ter vivido juntos.
Mas há uma dimensão da saudade sobre a qual penso muito.
Quando sentimos saudade de alguém, também sentimos saudade da pessoa que éramos na convivência com ela.
Pense nisso.
Você não era exatamente a mesma pessoa quando estava com sua mãe, seu pai, um amigo, uma companheira, um irmão.
Cada convivência despertava em você maneiras particulares de existir.
Havia brincadeiras que só aconteciam com aquela pessoa. Assuntos que só vocês conversavam. Um jeito de rir, de olhar, de silenciar.
E, quando alguém parte, sentimos falta também daquele encontro que nos permitia ser quem éramos juntos.
Mas existe algo extraordinário nisso.
As pessoas que amamos continuam participando de quem somos.
Nos nossos gestos, nas palavras que escolhemos, na maneira como acolhemos, discordamos, cuidamos e amamos.
Somos, em alguma medida, acontecimentos das nossas convivências.
E essa percepção me faz olhar para o presente.
Com quem estamos convivendo hoje?
Que experiências estamos construindo juntos?
Que possibilidades de existência despertamos uns nos outros?
A vida levou bilhões de anos para que estivéssemos todos aqui, compartilhando este pequeno instante da história do universo.
E, no entanto, quantas vezes atravessamos nossas convivências como se elas fossem apenas compromissos, obrigações, rotinas?
Talvez o Dia de Finados também possa nos lembrar de uma responsabilidade bonita:
Enquanto estamos vivos, participamos da construção das lembranças que um dia alguém terá de nós.
Podemos fazer dessa convivência uma experiência mais amorosa, respeitosa, amistosa, prazerosa.
Não precisamos esperar a ausência para reconhecer o valor de uma presença.
Porque a vida acontece agora.
E cada encontro é uma oportunidade de construir algo que continuará existindo, de alguma maneira, mesmo depois da despedida.
Hoje, de quem você sente saudade?
E, principalmente:
Que saudades você gostaria que as pessoas tivessem da convivência com você?




Lindo demais meu irmão! Parabéns pelo texto!
"Que saudades você gostaria que as pessoas tivessem da convivência com você?"
R: da alegria, do riso fácil, de Ser Feliz!