Trump voltou atrás?
A máfia no poder nos Estados Unidos
Não adianta Trump voltar atrás em algumas de suas ameaças mais absurdas às democracias liberais. A pergunta é: como ele pôde, até agora, fazer o que fez? Não havia ninguém, no governo dos EUA, capaz de frear suas iniciativas claramente irresponsáveis, anticonstitucionais, antidemocráticas, racistas e, até, anti-humanas? Afinal, há um governo americano ou apenas uma máfia que empalmou o poder nos Estados Unidos?
Tudo indica que há uma máfia, stricto sensu. Francis Fukuyama, no Persuasion de 18/01/2026, já havia deixado isso claro no artigo A moralidade de um chefe da máfia:
“Trump está certo ao afirmar que são as normas, e não o direito internacional, que irão reger o comportamento americano. O problema reside em sua declaração sobre “minha moralidade”: Trump tem a moralidade de um chefe da máfia. Ele quer usar o poder americano para adquirir território, recursos e prestígio. Sua tomada de poder de Maduro deveria ser menos chocante do que sua justificativa para a ação: ele quer ganhar “bilhões e bilhões” de dólares extraindo petróleo do solo e vendendo-o para benefício americano”.
Todavia… é mais do que isso. O governo Trump é movido pela ganância do chefe e dos seus sequazes, mas sua ainda precária coesão não vem apenas – nem principalmente – desse motivo. É uma máfia política. Uma avassaladora força de liquidação da democracia. Por isso, todos os auxiliares mais próximos de Trump foram escolhidos a dedo a partir de um critério básico: o ódio à democracia.
Pois bem. Quem são os “soldados” dessa organização mafiosa chefiada por ele?
Eis o núcleo duro (ou inner circle) de Trump em janeiro de 2026. Provavelmente algumas pessoas estão faltando na lista abaixo. Mas ela não deve ser muito maior (em torno de 30 pessoas). Governos autocráticos são muito verticalizados e no topo da pirâmide cabem poucas pessoas.
Essa é a equipe, mais submissa às vontades do chefe, que Trump não tinha no primeiro mandato – e agora tem. Se Trump for interditado (por demência ou qualquer outro tipo de incapacidade), sofrer impeachment ou se seu candidato (talvez saído desse núcleo) perder a próxima eleição, essas pessoas deverão ser julgadas por atentado ao regime democrático dos Estados Unidos.
Em ordem alfabética:
1. Dan Scavino - Vice-Chefe de Gabinete (Deputy Chief of Staff) - Responsável pela operação diária e fluxo de informações para o Presidente.
2. Donald Trump Jr. - Conselheiro Político (Externo) - Não ocupa cargo oficial, mas lidera a transição contínua e a estratégia política “MAGA” nos bastidores.
3. Doug Burgum - Secretário do Interior - Acumula a função de “Czar da Energia”, coordenando a exploração de petróleo e gás.
4. Elon Musk - Sem Cargo Oficial - Saiu do governo em 2025, mas segue como aliado e doador influente, fora da estrutura administrativa.
5. Howard Lutnick - Secretário de Comércio - Lidera a guerra tarifária e a política industrial.
6. Jared Kushner - Conselheiro Informal - Focado pontualmente em acordos no Oriente Médio (Acordos de Abraão), sem cargo na folha de pagamento.
7. Jason Miller - Estrategista Sênior - Atua principalmente na comunicação política e gestão de crises (frequentemente via Super PACs ou consultoria externa).
8. JD Vance - Vice-Presidente dos EUA - Presidente do Senado e principal herdeiro político do movimento.
9. John Ratcliffe - Diretor da CIA.
10. Krist Noem - Secretária de Segurança Interna (DHS) - Comanda a proteção de fronteiras e a agência de imigração (ICE).
11. Lee Zeldin - Administrador da EPA - Chefe da Agência de Proteção Ambiental (focado em desregulação).
12. Marco Rubio - Secretário de Estado - Chefe da diplomacia americana.
13. Mike Waltz - Conselheiro de Segurança Nacional (NSA) - O principal estrategista militar e geopolítico dentro da Casa Branca.
14. Pam Bondi - Procuradora-Geral (Attorney General) - Lidera o Departamento de Justiça (DOJ).
15. Pete Hegseth - Secretário de Defesa (ou de Guerra) - Chefe do Pentágono.
16. Robert Kennedy Jr - Secretário de Saúde (HHS) - Lidera a agência com foco na reforma de alimentos e fármacos (”MAHA”).
17. Scott Bessent - Secretário do Tesouro - Responsável pela economia, dívida e dólar.
18. Stephen Miller - Vice-Chefe de Gabinete (Política) - O arquiteto ideológico da agenda de imigração e deportação.
19. Steve Bannon - Influenciador (Mídia) - Sem cargo oficial - Segue comandando o “War Room” como braço de pressão popular da base.
20. Steve Witkoff - Enviado Especial para o Oriente Médio - Diplomata focado em negócios e paz na região (cargo oficial na Casa Branca).
21. Susie Wiles - Chefe de Gabinete (Chief of Staff) - A “guardiã” do Presidente: a funcionária mais poderosa da ala Oeste.
22. Tom Homan - “Czar da Fronteira” - Cargo executivo na Casa Branca com poder direto sobre deportações (acima das agências normais).
23. Tulsi Gabbard - Diretora de Inteligência Nacional (DNI) - Coordena todas as 18 agências de inteligência do país.
24. Vivek Ramaswamy - Candidato a Governador de Ohio - Saiu do governo. Deixou o DOGE no início do mandato para focar em sua carreira eleitoral estadual.
Enquanto Trump e essa máfia estiverem no poder, os seus recuos serão apenas táticos. O objetivo desses “soldados” não é realizar essa ou aquela promessa do chefe e sim instalar um clima de permanente instabilidade, onde ninguém, nenhum ator político, individual ou coletivo, inclusive nenhum país, consiga saber o que pode acontecer.
Ou seja, seu propósito não é organizar, construir um caminho qualquer e sim desorganizar, destruir a ordem liberal vigente nas últimas sete a oito décadas. E, enquanto isso, destruir a própria democracia americana.
Então, se Trump voltar atrás em algum desatino, nada indica que ele não avançará em seguida para outro desatino ainda maior. Se ele recua, aparentemente, da sua intenção de invadir e tomar pela força a Groenlândia, nada indica que, amanhã, não anunciará que invadirá e tomará pela força o estado de Alberta, no Canadá. Ou que vai ocupar o canal do Panamá. Ou que vai arrancar a Islândia da Europa. Simplesmente não há limite.
E não há estratégia (conhecível). A intenção é confundir, confundir sempre para deixar uma espada permanentemente pendente sobre a cabeça de todos, mas, principalmente, dos democratas e das democracias liberais.




É importante entender que ele não é um politico. Os Estados Unidos esta sendo administrado ( e não governado ), por um Economista. Todas decisões dele visam apenas trazer dinheiro pro Caixa. Ele não esta preocupado com democracia, isto é assunto de politico, a cabeça dele funciona com finanças.
Engana-se quem pensa que o Brasil está a salvo da sanha do presidente americano. Temos uma área enorme, despovoada, rica em minerais, cheia de garimpeiros, rota de tráfico e sem a presença forte do Estado.
Com pretexto de "salvar a floresta", T pode iniciar uma campanha para que isso seja das "Americas" e não do Brasil. Claro que com o gerenciamento de quem tem mais grana para isso...
Se o cara tá comprando briga com a OTAN para pegar a Groelância, essa aqui é muito mais fácil.