Um holofote ou infinitas pequenas luzes?
Confrontam-se duas concepções opostas sobre a influência da administração governamental: uma em que a figura de um líder político aparece focada o tempo inteiro; outra em que a presença do representante é difusa.
Populistas organizam a vida coletiva via divisão que instauram: o “povo puro” e a “elite corrupta”. O “nós contra eles” se dá por medo e desejo de pertencimento. Falam todos os dias, reagem a tudo, criam fatos e mantêm o ambiente em pânico.
Aprenderam, como formulado por Steve Bannon, que o melhor método é saturar o espaço público com conteúdo, até dissolver a distinção entre informação e confusão. Dirigem-se à maioria sem quaisquer mediações, desprezando a diplomacia, as instituições de Estado e o jornalismo profissional. E apresentam instituições representativas como obstáculos erguidos por grupos privilegiados. A política perde a função moderadora. A coesão do grupo é engendrada pela escolha de inimigos e pela manutenção da guerra. A polarização passa a operar como técnica de governo. Sem associações horizontais de cooperação e sem experiência concreta de livre interação, delega-se o próprio destino a figuras providenciais. Mensagens orientadas à perseguição convertem a cidadania em seita. O salvador prospera em uma sociedade afastada de si mesma.
A democracia em tempo real impõe um desafio civilizatório. Embora valorize a razão pública e a estabilidade das regras, a competência administrativa e a defesa dos procedimentos não bastam. Reduzir a política à entrega técnica de resultados e indicadores tende a afastar o cidadão. As mensagens orientadas à colaboração ampliam a capacidade coletiva de agir. Para ganhar presença na base da sociedade, os democratas liberais atuam como criadores de vínculos, mobilizando por meio da solidariedade e do desejo de convivência. Uma das chaves está em fomentar associações de confiança capazes de se auto-organizar na sociedade. A governança distribuída deixa legado em capital social, com resultados consistentes (livres de paternalismo) nas diversas frentes. Nas sociedades que interagem desse modo, o poder se descentraliza.
Você conhece pelo nome ao menos um dirigente político atual de alguma das 26 democracias plenas classificadas pela Economist Intelligence Unit (Londres), em 2025?




