Uma digressão político-amorosa para o início do ano
Rafael Ferreira, Inteligência Democrática (01/01/2026)
Onde está o amor no sentido mais amplo? Nas nossas relações mais próximas, com os nossos entes queridos, com nossa companheira, nosso companheiro, pais, filhos?
Defendo que, além desse âmbito privado da família, o amor reside num espaço mais amplo vinculado a uma humanidade que se propõe enquanto projeto de ser. Ser da convivência, além do bestial, do reprodutor de padrões hierárquicos e autocráticos.
A democracia é um projeto de humanidade e acontece no presente da convivência amorosa.
Se essa convivência é ou está ameaçada pela bestialidade dos projetos de poder espalhados pelo mundo, o amor à humanidade reside na resistência, mesmo que essa resistência seja violenta e armada como mostram bem os ucranianos.
A vida vale a pena enquanto amamos, e o amor é livre por ser um amor à humanidade nas suas qualidades e defeitos. Humanidade que está nos recantos mais distantes ou ao nosso lado, nos gestos mais simples.
Em tempos de algoritmos que se fazem de substitutos dos nossos desejos, a humanidade precisa caminhar por fora dos projetos de poder. A máquina não ama, e a liberdade é também o amor à humanidade que existe entre nós.
Um mundo dominado por bestas e algoritmos ainda tem espaço para a humanidade. As democracias que ainda resistem provam isso, nossas comunidades de convivência e projetos provam isso. Nossas relações mais próximas provam isso.
Se algo pode ser mais potente que a mensagem do amor, eu desconheço. Num ano que se inicia, relembrar desse sentido da humanidade é imperativo para quem deseja um mundo melhor. Mundo que começa sempre com nosso amor. Feliz 2026!



