Uma hemorragia nacional
Gilberto Natalini, Inteligência Democrática (23/05/2026)
Muito se fala das mazelas do Brasil, que são muitas, escandalosas e persistentes.
Assim, práticas como corrupção, fisiologismo, populismo e incompetência, fazem parte do cotidiano da vida do nosso país.
Entra ano e sai ano, chega governo e vai governo e esses tópicos se repetem e se aprofundam.
Agora, acrescenta-se um fator novo e apavorante que é a pandemia de violência e criminalidade que tomou conta de todos os seguimentos do país, provocada pela multiplicação das quadrilhas do crime organizado, um governo paralelo da nação.
Mas, o que pouco e quase nunca se fala, e é, certamente, a etiologia de todas essas mazelas, é a sangria destrutiva e covarde feita na economia e nas finanças do Brasil, por um sistema financeiro dominante e predatório que manda e desmanda na vida dos brasileiros.
Na verdade, manda no mundo, mas aqui chegou as raias da loucura.
É sabida por todos a vergonhosa desigualdade social da qual é vítima o nosso povo.
Aqui, fala-se que as 8 pessoas mais ricas têm o dinheiro de 100 milhões de compatriotas.
A iniquidade é, perdoe a palavra, “pornográfica”.
Se não formos os campeões, estamos na disputa do topo da desigualdade social no planeta.
Está aí a raiz, a matriz, a causa principal dos nossos sofrimentos.
Isso não começou agora. Tem raízes no descobrimento, na colonização, na escravidão, e na subserviência históricas no Brasil.
Mas cada dia que passa esse modelo aprofunda-se e domina mais o cenário.
Hoje, de toda a riqueza produzida por aqui, com o trabalho duro do nosso povo e com a cobrança assombrosa de impostos, 43% é destinada a pagar os juros e serviços da “dívida pública”.
Essa “dívida” só aumenta com o tempo, e agora bateu em 10 trilhões de reais, 78% do PIB.
Ou seja: de cada 1000 reais do nosso orçamento, 430 reais são destinados ao sistema financeiro para pagar juros e amortização dessa dívida. Os juros aqui, chegam a 15% ao ano.
De modo simples podemos dizer que de tudo que cada um de nós produz no ano, quase a metade é desviada para os banqueiros.
As desgraças da vida nacional têm muitas causas. Mas, a causa mãe é a tremenda desigualdade social, criada e alimentada por esse modelo que provoca a hemorragia de riquezas no Brasil.
Repito: entra governo e sai governo, da “direita”, da “esquerda”, de “centro”, e ninguém, mas ninguém mesmo, tem coragem de mexer nesse modelo.
Assim, fica difícil viver!



