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Avatar de CarlosUPozzobon

Falar em futuro sempre me remete ao problema tecnológico: se vamos enfim resolver nossos dilemas atuais e avançar em conhecimento e resolução de problemas. Quanto à democracia -- este luxo reservado a uma minoria de nações -- parece estar cada vez mais inacessível ao pensamento coletivo dos brasileiros. Uma enquete poderia revelar que a democracia como norma pacífica já foi cancelada da mente como lugar da esperança. A medida que a tirania avança, o remédio sempre será o jacobinismo incontrolável. O grau de violência em nossa sociedade é um indicador em si mesmo da preparação para a tragédia como revide.

Avatar de Diogo Dutra

Obrigado pelo comentário Carlos. Acho que você toca num ponto importante ao conectar futuro, tecnologia e a sensação de erosão da democracia, principalmente no Brasil. Eu tenderia a complementar (na linha do artigo) dizendo que talvez o problema não seja exatamente o desaparecimento da democracia como ideal, mas a perda da sua capacidade de ser vivida como prática no presente, o que abre espaço tanto para promessas tecnológicas de solução quanto para respostas mais autoritárias ou reativas quando essa prática falha; nesse sentido, a violência e a sensação de tragédia que você menciona parecem menos um destino inevitável e mais um sintoma de um sistema que perdeu capacidade de mediação, e talvez o desafio central seja justamente reconstruir, em meio a esse ambiente, formas concretas — ainda que pequenas e distribuídas — de operar democraticamente, antes que a linguagem do conflito se torne o único repertório possível.