Estamos nos tornando substituíveis?
O que a inteligência artificial expõe sobre a inteligência humana
Insubstituíveis ou automatizáveis?
Este texto nasce do registro de uma conversa. Uma conversa iniciada após a publicação do artigo Autopoiese ou simulação? de Diogo Dutra (2026) e aprofundada em trocas realizadas em grupos semi privados dedicados a discutir futuro, tecnologia e inovação.
O ponto de partida é simples, mas decisivo: diante da aceleração da inteligência artificial, o que ainda faz sentido chamar de inteligência tipicamente humana?
A pergunta ganha uma nova camada quando lida à luz do livro Irreplaceable: The Art of Standing Out in the Age of Artificial Intelligence, de Pascal Bornet (2024) (1). O autor propõe um chamado de atenção: a questão não é competir com a IA em velocidade ou processamento — nessa arena sempre perderemos. A questão é nos tornarmos insubstituíveis.
Mas o que exatamente nos torna insubstituíveis?
Durante décadas, distinguíamos inteligência humana de inteligência animal. A singularidade tecnológica (2) parecia um horizonte distante. Hoje, com LLMs, agentes autônomos e sistemas de decisão sofisticados, essa fronteira se tornou menos abstrata. As máquinas escrevem, sintetizam, sugerem, simulam.
Grande parte do debate público oscila entre euforia tecnocrática e distopias de dominação. Bornet desloca o eixo: a IA amplia nossas mentes como motores ampliaram nossos corpos. A pergunta não é se ela substituirá humanos, mas se nós atrofiamos aquilo que nos torna únicos — o que ele chama de risco de “obesidade de IA” (3).
É nesse contexto que o diálogo entre Diogo Dutra e Augusto Franco se desenvolve.
Talvez a questão central não seja como usar a IA.
Talvez seja: o que estamos dispostos a fortalecer em nós mesmos para que a simbiose seja elevadora — e não redutora?
O diálogo
1) O risco não é a máquina virar humana
Augusto:
Talvez estejamos fazendo a pergunta errada sobre Inteligência Artificial. O problema não é a máquina se tornar humana. É o humano se tornar máquina. Entidades capazes de autopoiese (4) podem transformar outras entidades capazes de autopoiese em máquinas. Entidades capazes de autopoiese, no caso, humanas, podem internalizar inteligências que não são tipicamente humanas. Fomos programados sem a IA atual — e continuamos sendo. A “Matrix realmente existente” não usa esse tipo de IA. Não se trata de máquinas dominando os humanos, nem de humanos usando máquinas para dominar outros humanos, e sim de transformar humanos em máquinas. As máquinas mais usadas na civilização patriarcal foram os humanos.
Diogo:
Augusto, essa reflexão vai além — e é justamente por isso que vale puxar com calma. Quando você diz que o risco não é a máquina virar humana, mas o humano virar máquina, você desloca completamente o debate. Talvez a pergunta não seja “o que a IA faz conosco?”, mas “o que já estávamos aceitando como inteligência humana antes mesmo da IA aparecer?”. Coordenação, eficiência, cálculo, repetição, performance… tudo isso já vinha sendo tratado como sinônimo de inteligência muito antes dos LLMs; a IA só chega e ocupa esse lugar com mais velocidade e menos fricção. Quando a gente olha por essa lente, fica quase inevitável pensar que parte do risco está em redefinir o humano a partir de critérios operacionais: se inteligência vira apenas tomada de decisão rápida, otimização e execução, o humano começa a ser treinado e moldado como componente funcional de um sistema. E aí a tua provocação fica ainda mais forte: talvez a IA não inaugure isso — ela apenas explicita, automatiza e escala uma lógica que já estava rodando, de modo que a “Matrix realmente existente” não precisa de superinteligência artificial para funcionar.
2) Escassez como programação e formação
Augusto:
Desde o momento em que a produção artificial de escassez se tornou parte de um modo-de-vida que se reproduz, os humanos passaram a rodar programas de inteligência artificial — ou internalizaram e começaram a operar uma espécie de inteligência que não é tipicamente humana. Foi ao fazer isso que se converteram em máquinas.
Diogo:
Eu fico com a sensação de que esse ponto da escassez não é só estrutural, mas formativo: ela vai moldando o jeito como a gente percebe o mundo, o outro e a nós mesmos. A gente cresce aprendendo que competir é natural, que alguém manda e alguém obedece, que eficiência vale mais do que cuidado, que controle vale mais do que convivência; e isso vai ficando tão entranhado que vira pano de fundo da vida — não parece ideologia, parece “realidade”. Quando essa lógica encontra o discurso tecnocrata atual, o encaixe é quase perfeito. O tecno-otimismo vende a ideia de progresso inevitável, de corrida que precisa ser ganha, de máquinas governando melhor do que humanos “falhos”, mas talvez isso seja só um travestimento moderno de um modus operandi muito mais antigo: a mesma cultura de controle, hierarquia e obediência, agora embalada em código, data center e narrativa de inovação. A IA entra menos como ruptura e mais como acelerador de um modo de vida já profundamente maquinístico.
3) Patriarcado, “códigos” e o artifício da escassez
Augusto:
Sim, parte do que chamamos inteligência humana é inteligência artificial. E isso não começou agora, mas há milênios; começou com a produção artificial de escassez. A produção artificial de escassez cria a ilusão de que a escassez é natural, como se fosse uma condição dada do mundo real, e esconde que a escassez foi produzida por um modo de interação com o mundo que não é o único possível. Se controlarmos os fluxos de água em canais de irrigação, podemos produzir artificialmente escassez de água, mesmo quando há abundância na natureza. Mas não seria necessário controlar o fluxo, a menos que quiséssemos provocar escassez. E isso tem a ver com códigos básicos de programação do patriarcado — elementos constitutivos de padrões hierárquico-autocráticos — como esse olhar para cima no espaço e para trás no tempo, como se tudo estivesse acima e antes, fora do aqui e agora, fora do alcance da interação presente.
Diogo:
Esse ponto me pega porque ele conversa diretamente com o que o Pascal Bornet chama de risco de “obesidade de IA”, só que deslocado: não é apenas dependência tecnológica recente, é uma espécie de dependência civilizacional antiga, em que a gente vai se acostumando com modos de operar que premiam velocidade, resposta, otimização e obediência. A IA, nesse sentido, pode ser menos uma ameaça externa e mais um espelho: ela evidencia que boa parte do que chamamos de inteligência — e do que treinamos como “competência” — já vinha sendo um treino para pensar como máquina. E se Bornet insiste que ser insubstituível não é competir em processamento e velocidade, então a pergunta aqui vira quase inevitável: onde, dentro dessa história de escassez produzida e controle internalizado, ainda preservamos — ou reaprendemos — aquilo que não se automatiza?
4) Uma genealogia da redução da inteligência
Diogo:
Eu fiz umas trocas com a minha IA e pedi uma genealogia das ideias de “inteligência” dentro do contexto que estamos discutindo, e o que aparece é um deslocamento progressivo: da inteligência como modo de vida e sabedoria situada para a inteligência como função operacional. Na Antiguidade, a inteligência era inseparável da ética, do corpo e da vida comum; na modernidade, passa a ser método e procedimento replicável; no século XX, se consolida como resolução de problemas sob restrições e como performance observável — e aí aquilo que passa a ser chamado de inteligência humana corresponde exatamente ao que sistemas artificiais conseguem fazer bem. O sentido desaparece e sobra a performance. E é justamente contra esse caminho que autores dissidentes recolocam a questão em outro eixo, recolocando inteligência como percepção direta, como cognição enquanto vida, e como narrativa capaz de criar horizontes de sentido. Vista em conjunto, essa genealogia sustenta uma inversão: não foi a inteligência humana que inspirou a IA, mas uma definição empobrecida de inteligência, sempre maquínica, que projetamos sobre nós mesmos.
5) Inteligência tipicamente humana como relação, emoção e cooperação
Augusto:
Para compreender a inteligência tipicamente humana segundo Humberto Maturana (5), você precisa abandonar a ideia de que inteligência é uma faculdade mental abstrata ou um estoque de processamento guardado no cérebro. Para ele, inteligência é uma atividade operacional, um fluir na convivência. Ela não está “dentro” de você, mas na relação entre você e o mundo. E, mais forte ainda, o que nos torna tipicamente humanos não é o fato de sermos racionais, mas o modo como a razão está ancorada na emoção, no conversar, no entrelaçamento entre linguajear e emocionar. A inteligência humana propriamente dita só pôde surgir através da biologia do amor, entendida como aceitação do outro como legítimo outro na convivência; sem isso, não há socialização humana, e uma sociedade na qual se perde o amor se desintegra.
Diogo:
Isso conversa diretamente com o que Pascal Bornet chama de Humanics (6) em Irreplaceable. Ele argumenta que, se quisermos nos tornar insubstituíveis na era da IA, precisamos cultivar capacidades que não podem ser replicadas de forma autêntica por algoritmos — não porque a máquina não consiga simular padrões, mas porque essas capacidades emergem de história vivida, emoção e consciência. Bornet fala de criatividade genuína, pensamento crítico com julgamento ético e autenticidade social como pilares dessa insubstituibilidade. E, de certo modo, o que você está descrevendo — essa inteligência relacional que nasce da convivência e do reconhecimento do outro — parece ser o solo ontológico dessas Humanics.
Então não estamos falando de memória ou cálculo. Estamos falando de coordenação viva, de presença, de ajuste mútuo em tempo real. Talvez o ponto mais provocador seja este: o problema não é que a máquina esteja ficando inteligente demais, mas que chamamos de inteligência algo que raramente cria as condições para essa inteligência relacional aparecer.
6) Simbiose, “Humano + IA” e a questão do insubstituível
Augusto:
Eu fico pensando na parte que poderia completar o que já dissemos: como estimular o desenvolvimento de uma inteligência tipicamente humana, ou melhor, como configurar ambientes para que ela se manifeste. Em outras palavras, como fazer “super-computadores” humanos — ou impedir que humanos sejam transformados em máquinas, não por uma rebelião das máquinas, mas pela contaminação, contraída por humanos, de modos de pensar de máquina. E, para isso, talvez seja preciso investigar qual é a “linguagem de máquina” dos humanos.
Diogo:
Bornet insiste que ser insubstituível não é competir com IA em velocidade ou processamento, porque isso é comprar uma guerra perdida; é cultivar aquilo que a IA não consegue replicar autenticamente por estar enraizado em emoção, história vivida e consciência. Quando ele fala do risco de “obesidade de IA”, ele está nomeando um processo de atrofia: cada interação que reforça o modo “perguntar → obter → seguir em frente” vai nos treinando para operar como máquina, e a gente perde precisamente aquilo que não pode ser automatizado — a pausa, o desconforto do não saber, a intuição que antecede a palavra, a sustentação do vínculo, a criação de sentido. Se a simbiose é inevitável, então ela não é apenas técnica: ela é formativa; ela vai amplificar alguma coisa em nós. A questão é o quê.
Augusto:
Há cerca de 10 anos avancei uma visão da inteligência tipicamente humana vis-a-vis à inteligência artificial (cujo desenvolvimento ainda era muito incipiente naquela época) e a outras inteligências. Em síntese, a visão era a seguinte. O que poderia caracterizar uma inteligência tipicamente humana (sintonizada com o emocionar humano)? Não é, por certo, o fato de ela ser considerada superior a de outros animais ou de outros seres vivos (o que ela não é realmente se olharmos as longas linhagens filogenéticas de seres que produzem a chamada inteligência coletiva na sua interação, como os cupins construindo um cupinzeiro ou como as bactérias que colonizam nossos corpos como planetas). Uma inteligência tipicamente humana não é a inteligência prodigiosa das máquinas que ainda serão inventadas, dos futuros seres cibernéticos. Ademais – e aqui parece estar uma novidade – a inteligência tipicamente humana não é também a inteligência extraordinária de indivíduos extremamente bem dotados de capacidades cognitivas, de prodigiosa memória e de formidável raciocínio lógico. Não. A inteligência tipicamente humana é aquela inteligência empática, que no simples ato de se manifestar ou se exercer, já se acopla estruturalmente à inteligência de outros humanos. É como se fosse o espelhamento, no que cada pessoa tem de único, da inteligência dos emaranhados sociais em que existimos como seres humanos. Não é uma inteligência individual que se combina com outras inteligências individuais. É a inteligência que só emerge em cada um de nós, humanos, porque no próprio processo de sua gênese já incorpora a interação sinérgica, simpática e simbiótica, com outros humanos (que lembra a temática daquela série televisiva das Wachowskis, Sense8) (7). E, portanto, é uma inteligência colaborativa (e isso implica que a inteligência competitiva – tão buscada por organizações hierárquicas, no afã de derrotarem seus concorrentes, vencerem seus adversários ou destruírem seus inimigos – não é uma inteligência tipicamente humana). Essa afirmação é surpreendente também porque desconstitui as teorias cognitivistas da aprendizagem voltadas a maximizar a inteligência. Ela significa que não é a quantidade de inteligência (passível de ser medida pelos indicadores de inteligência comumente usados nos testes de inteligência) que caracteriza a inteligência tipicamente humana e, ao mesmo tempo, que nossa inteligência não é superior a de outros seres vivos (inclusive de outros animais humanos) e, ainda, que podemos ter inteligências extraordinárias de indivíduos humanos que não são tipicamente humanas. A inteligência tipicamente humana é uma espécie de sacramento, uma sombra do que ainda virá (e que será o que será, quando for e toda vez que vir). É uma inteligência humanizante. É a inteligência de um simbionte social se prefigurando. Acho que chegou a hora de desenvolver isso.
Diogo:
Estou entendendo, então, Augusto, que quando a gente fala de inteligência tipicamente humana, não está falando de linguagem, memória, capacidade de cálculo ou de escolher a ação “correta” — que são exatamente os critérios com os quais a gente aprendeu a reconhecer inteligência. O que você parece estar apontando é outra coisa: uma espécie de coordenação viva, no sentido de pessoas conseguirem se ajustar mutuamente em tempo real, sentir o contexto, perceber o outro e sustentar a relação enquanto agem juntas. Não é uma inteligência que representa o mundo para depois operar sobre ele, mas uma que se forma no próprio estar-junto, antes de qualquer formalização.
Sendo assim, essa inteligência que a gente está tentando nomear é menos sobre decidir, otimizar ou vencer, e mais sobre sustentar o entre — o vínculo, a confiança, a empatia prática que permite colaboração sem virar disputa. Ela não aparece como desempenho individual, nem como vantagem competitiva, mas como algo que emerge quando o campo relacional está vivo. Talvez o ponto mais provocador da tua definição seja justamente esse: ela sugere que o problema não é que a máquina esteja ficando “inteligente”, mas que a gente tem chamado de inteligência, por muito tempo, algo que quase nunca cria as condições para essa inteligência humana — relacional e humanizante — aparecer.
Notas para investigações futuras
Se há um fio subterrâneo neste diálogo, ele não é a oposição entre humano e máquina, mas a percepção de que a inteligência artificial funciona como um espelho histórico: ao executar com excelência aquilo que chamamos de inteligência, ela evidencia que, há muito tempo, reduzimos inteligência ao que pode ser formalizado, mensurado e performado. A IA não cria esse risco; ela acelera e torna visível uma tendência antiga, moldada por escassez produzida, hierarquias naturalizadas e culturas de controle que transformaram otimização em valor moral. Nesse sentido, o desconforto contemporâneo não nasce apenas da potência técnica das máquinas, mas da constatação de que talvez já estivéssemos treinando humanos para operar segundo lógicas maquínicas muito antes do advento dos algoritmos generativos. É por isso que a leitura de Pascal Bornet, ao propor a insubstituibilidade como projeto formativo e não como vantagem competitiva, encaixa como lente conceitual: se insistirmos em competir com a IA no terreno da eficiência, aprofundaremos a redução; se aceitarmos a equação “Humano + IA” como horizonte, a questão deixa de ser tecnológica e passa a ser civilizatória.
O que está em jogo, então, não é apenas a gestão da automação, mas a direção da amplificação. Toda simbiose amplia algo — e aquilo que é ampliado depende do que é cultivado, premiado e protegido socialmente. Se reforçarmos apenas velocidade, resposta imediata e desempenho, a simbiose consolidará um modo de vida cada vez mais maquínico, no qual a inteligência se confunde com performance. Se, porém, investirmos deliberadamente naquilo que Maturana identifica como fundamento do social — a aceitação do outro, o conversar, a cooperação recorrente — e naquilo que Bornet chama de Humanics — criatividade genuína, pensamento crítico com julgamento ético e autenticidade relacional — então a amplificação poderá operar em outra direção. Este diálogo não encerra a questão; ele abre um campo de investigação que merece desdobramentos futuros: como formar sujeitos e instituições que não apenas utilizem a IA, mas que orientem sua amplificação a partir de um projeto explícito de humanidade, capaz de sustentar sentido compartilhado e tornar o futuro não apenas mais eficiente, mas mais habitável.
Notas
(1) BORNET, Pascal. Irreplaceable: The Art of Standing Out in the Age of Artificial Intelligence. Hoboken: Wiley, 2024.
(2) A ideia de “singularidade tecnológica” foi popularizada por Ray Kurzweil como o ponto em que a inteligência artificial superaria a inteligência humana. Ver: KURZWEIL, Ray. The Singularity Is Near. New York: Viking, 2005.
(3) Pascal Bornet utiliza a expressão “AI obesity” para descrever a dependência excessiva da inteligência artificial, que pode levar à atrofia de capacidades humanas como pensamento crítico, criatividade e julgamento autônomo. Ver: BORNET, 2024.
(4) O conceito de autopoiese foi desenvolvido por Humberto Maturana e Francisco Varela em 1973 para designar sistemas vivos capazes de se autoproduzir e manter sua organização. Ver: MATURANA, Humberto; VARELA, Francisco. Autopoiesis and Cognition: The Realization of the Living. Dordrecht: Reidel, 1980.
(5) Humberto Maturana (1993), biólogo chileno, desenvolveu uma teoria biológica da cognição na qual inteligência e linguagem emergem da convivência e do emocionar. Ver especialmente: MATURANA, Humberto & VERDEN-ZÖLLER, Gerda. Amar e Brincar: Fundamentos Esquecidos do Humano. São Paulo: Palas Athena, 2004.
(6) Bornet denomina “Humanics” o conjunto de capacidades humanas não automatizáveis — criatividade genuína, pensamento crítico com julgamento ético e autenticidade relacional — que fundamentam a insubstituibilidade humana na era da IA. Ver: BORNET, 2024.
(7) Sense8 é uma série criada por Lana e Lilly Wachowski (Netflix, 2015–2018), cuja narrativa explora a interconexão empática entre indivíduos distribuídos globalmente.





