No meu artigo de ontem escrevi:
Se Flávio for eleito ou passar com mais votos do que Lula para o segundo turno, é sinal de que a desaprovação do atual governo e a rejeição do seu eterno candidato se avolumaram na boca da urna. No entanto, isso não será uma vitória que possa ser creditada às virtudes do principal candidato de oposição e sim ao chamado antipetismo de chegada. Como estamos dizendo há muito tempo, se Lula perder, não perderá para Flávio e sim para o antipetismo.
Pois bem. O antipetismo venceu. Por enquanto. Mas nada indica que o resultado do primeiro turno se repetirá no segundo turno, sobretudo se não tivermos eleições normais. Então a pergunta é: teremos eleições normais?
Nossos jornalistas e analistas políticos, em sua maioria, tendem a achar que sim. Pensam que o PT é democrático e jogará o jogo segundo as regras estabelecidas. Não se pode, entretanto, confiar no seu juízo. Eles tiveram 40 anos para entender o que é o PT e, até hoje, não entenderam. E eu confesso que também não entendo bem porque eles não entenderam.
Então eles não veem que aceitar a derrota, achar normal a alternância democrática, não faz parte do ideário e do comportamento do PT. Desse ponto de vista chega a ser uma tolice achar que vamos ter um segundo turno normal.
Minha análise permanece a mesma. A "Irmandade Muçulmana" laica, que chamamos de PT, não vai querer perder a hegemonia que conquistou durante mais de 30 anos nas instituições do Estado e da sociedade. Logo, o PT já decidiu que não abandonará o governo de bom grado (aliás, nunca abandonou: foi necessário um impeachment para remover Dilma Rousseff da cadeira presidencial). A depender da disposição de seus dirigentes e militantes, não teremos um segundo turno normal e sim uma luta de vida ou morte que acabará por destruir parte de nossas instituições agravando a crise.
O maior risco imediato agora para a democracia não será, portanto, a eleição de um golpista (como o lulopetismo desqualifica Flávio Bolsonaro) e sim a possível instabilidade a ser criada nas próximas três semanas se o consórcio PT-STF partir para o tudo ou nada.
Muitas pessoas dizem que o PT entrou em declínio terminal, sobretudo em razão da idade de Lula e da derrota eleitoral de 2026. Não entendendo o que é o PT, elas não sabem que o partido não vai acabar sem Lula. É um organismo altamente resiliente que se reproduz, ainda que possa remanescer, durante muito tempo, como um cadáver adiado que procria. Mesmo que tenha virado, na prática, do ponto de vista eleitoral, um partido nordestino e que a utopia lulista se reduza agora a transformar o Brasil numa grande Bahia.
Mas eles nem percebem que o PT não vai desistir ou se render diante de qualquer derrota: não se rendeu quando seus principais dirigentes foram condenados e presos no mensalão e no petrolão, quando sua presidente Dilma sofreu impeachment, quando seu líder máximo ficou preso por mais de um ano, quando perdeu três eleições seguidas em 2016, 2018 e 2020, virando minoria no Congresso Nacional, nos governos e parlamentos estaduais e municipais, nas mídias sociais e nas ruas.
Porque não compreendem que o PT não acredita em rotatividade democrática e usa as eleições não como um metabolismo normal da democracia e sim como um meio instrumental para chegar ao poder e nele se manter indefinidamente, a qualquer preço.
Torço para estar errado. Mas acho que vem mais crise por aí. No limite, crise sem solução institucional, caso Lula ganhe na base do vale-tudo (com intervenção da facção governista do STF) ou perca sem aceitar a derrota. Deve ser isso que Zé Dirceu, rejeitado ontem pelas urnas, previu como a instalação de uma situação pré-revolucionária no país.




Acredito que as pessoas possam considerar muitas possibilidades , como achavam que no primeiro turno o PT ficaria em primeiro lugar por um ou dois pontos percentuais. Também consideraram que o Bolsonaro não chegaria tão longe na disputa. Na verdade não da para cravar o que acontecerá. Uma coisa é certa e vale para todos os partidos seja onde for: lutarão para não perder ou conquistar o poder. Criam muitas narrativas interessantes como exemplo as urnas não são confiáveis, os comunistas tomarão o poder (quem são eles ?) etc. Como estudo bastante probabilidade e estatística prefiro esperar, embora todas as considerações sejam interessantes.