O que deve ser explicado é por que Lula não está uns 10 a 20 pontos acima de Flávio nas pesquisas. Flávio, como sabemos há muito tempo, foi um candidato escolhido para perder, mas para impedir que algum candidato não bolsonarista que se opusesse ao PT pudesse vencer a eleição; ou, pelo menos, conseguisse assumir a liderança da oposição ao lulopetismo.
Claro que Flávio pode não perder ou não perder de muito. Se isso ocorrer, a explicação, porém, não estará nas suas virtudes e sim na força do antipetismo.
Na eleição de amanhã, entretanto, o mais provável é que Lula saia na frente depois de tantas manobras para garantir sua vitória a qualquer preço:
a) uso descarado da máquina do governo,
b) medidas eleitoreiras e populistas tomadas às vésperas do pleito,
c) intervenção aberta do judiciário a favor do candidato governista,
d) falsas ameaças de que os EUA iriam intervir a favor de Flávio para transformar o Brasil numa colônia americana e roubar nossas riquezas minerais (terras raras e petróleo da margem equatorial); e, para coroar o vale-tudo,
e) a fake news - industriada e espalhada pelo lulopetismo - de que o opositor de Lula cancelaria Nossa Senhora Aparecida, introduzindo a religião na eleição.
Vamos ver o que vai acontecer amanhã, dia em que os eleitores vão para o matadouro para escolher o mal menor. Sempre é bom relembrar a passagem em que Hannah Arend, em 1964, trata do assunto do “mal menor”, num trecho do artigo Personal Responsibility Under Dictatorship:
"Em sua justificativa moral, o argumento do mal menor tem desempenhado um papel de destaque. Se você se depara com dois males — assim reza o argumento —, é seu dever optar pelo menor, ao passo que é irresponsável recusar-se a fazer qualquer escolha... Politicamente, a fragilidade do argumento sempre residiu no fato de que aqueles que escolhem o mal menor esquecem muito rapidamente que escolheram o mal... A aceitação de males menores é utilizada conscientemente para condicionar tanto as autoridades governamentais quanto a população em geral a aceitar o mal propriamente dito".
Nas atuais circunstâncias parece óbvio que não há mal menor. Pois já sabemos o que virá depois. A crise institucional que nos assola não vai ser resolvida pelas urnas. E poderá virar rapidamente uma crise política sem solução institucional.
Como escrevi na minha declaração de voto,
“como Lula e o PT não vão expulsar do país cerca da metade da população brasileira que não gosta deles (e escolherá parlamentares de oposição ao governo) e como esse imenso contingente não vai ser evaporado por bombas termobáricas, será um governo altamente instável. Sem maioria no Congresso Nacional e nos governos e parlamentos estaduais e municipais, nas mídias sociais e nas ruas, Lula terá de governar com o STF funcionando como um tribunal de exceção num clima fake de defesa da democracia e da soberania, como se o 8 de janeiro fosse uma ameaça de golpe permanente, até 2030 e além. O pior é que, nomeando mais quatro “Dinos”, o PT estabelecerá uma maioria tão esmagadora na suprema corte que só poderá ser revertida na segunda metade do século 21”.
Pode ser ainda pior, entretanto. Além do STF funcionando como tribunal de exceção, a depender da resistência dos perdedores, haverá a tentação do PGR (absolvido preventivamente das suas relações com Vorcaro) de assumir o papel de grande inquisidor e da Polícia Federal atuar cada vez mais como polícia política. Isso para não falar da condução de Alexandre de Moraes (que também tende a ser absolvido preventivamente de seu comportamento corrupto e autoritário) à presidência da suprema corte.
Aí fechou.



